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Gorongosa destaca criação de nova área comunitária em Cheringoma

Mai 7, 2024 |

O ano de 2023 fica marcado pela criação de uma nova Área de Conservação Comunitária com uma dimensão total de  64.300 hectares no Planalto de Cheringoma. Este é um dos destaques do relatório anual que o Parque Nacional da Gorongosa acaba de publicar relativo ao ano passado.

A nova área no Planalto de Cheringoma procura promover a protecção da vida selvagem e o envolvimento das comunidades locais na gestão sustentável dos recursos naturais. No relatório pode ler-se que esta é a primeira etapa na criação de um corredor ecológico vital “ligando o Parque Nacional da Gorongosa ao Rio Zambeze”.

Segundo a mesma publicação, a equipa científica da Gorongosa realizou um levantamento da biodiversidade na área e confirmou o seu valor natural único e a necessidade de protecção. “A norte de Cheringoma, começámos a construir um novo centro em Inhaminga para apoiar as nossas actividades de educação, saúde e agricultura nesta área” pode ler-se.

Para Piotr Naskrecki, director do Laboratório E.O. Wilson Lab, na Gorongosa, as florestas antigas que exploramos nas profundezas dos desfiladeiros de Cheringoma são algumas das florestas mais espetaculares e completamente intactas encontradas em África”.

As autoridades do Parque destacam igualmente que actualmente a Gorogosa gera 1.807 empregos nas comunidades locais, incluindo 1.086 funcionários a tempo inteiro e 721 trabalhadores sazonais ou a tempo parcial.

De acordo com Pedro Muagura, administrador do Parque Nacional da Gorongosa “2023 foi um ano emocionante e profundamente gratificante para o Projecto de Restauração da Gorongosa. Fizemos grandes progressos em muitos objectivos importantes”.

Algumas das conquistas mais marcantes do projeto em 2023 incluem a implementação de um novo e robusto programa pré-escolar, fornecendo educação de qualidade para crianças de 4 e 5 anos e que o Parque quer estender a 10.000 crianças.

Destaca-se também um aumento significativo da população de carnívoros, com oito chacais, onze mabecos e seis hienas identificados. Além disso, os primeiros filhotes de hiena nasceram no Parque em décadas, indicando uma recuperação saudável da população destes animais.

Está em curso a construção de 26 novas escolas com infraestruturas resilientes, mais de 200.000 pessoas receberam apoio de saúde e foram construídos dezoito novos furos de água, beneficiando mais de 7.000 pessoas, garantindo o acesso a água potável e segura.

Segundo o PNG, os agricultores locais têm prosperado, produzindo e vendendo nove toneladas de mel, dez toneladas de castanha de caju e três toneladas de peixe. Além disso, foram plantados 10 hectares de piri-piri de alto valor em quatro distritos, promovendo a diversificação e a sustentabilidade agrícola.

No mesmo relatório pode ler-se também que as culturas locais de cereais estão agora protegidas por 175 silos “à prova de elefantes”, enquanto a equipa do Projeto Paleo-Primatas da Gorongosa está a processar centenas de fósseis raros encontrados no Parque, enriquecendo nosso conhecimento sobre a história natural da região.

Entre os projetos planeados para 2024, destaca-se a criação de um novo Instituto de Agricultura Regenerativa e uma Escola de Formação de Agricultores, que ampliarão o alcance do projeto às comunidades locais e fortalecerão a resiliência coletiva para enfrentar as alterações climáticas.

Um novo Centro de Visitantes na sede em Chitengo será estabelecido, apresentando exposições educativas para enriquecer a experiência dos visitantes e aprofundar a compreensão do ecossistema único da Gorongosa. Além disso, o Centro Comunitário de Conservação de Cheringoma em Inhaminga servirá como sede regional para o Projecto de Restauração da Gorongosa ao norte do Parque, reafirmando o compromisso em promover a prosperidade, salvaguardar a biodiversidade e proteger a paisagem local.

Foto: PNG

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