Jul 14, 2026 |
Trinta fêmeas de impalas e inhacosos serão observadas para estudar a sua adaptação aos ecossistemas e explicar o seu sucesso demográfico, num novo projecto científico no Parque Nacional da Gorongosa.
Esta iniciativa de campo, lançada pela equipa de conservação desta área protegida, foca-se em duas das espécies de antílopes mais prevalentes deste ecossistema, impalas e inhacosos, também conhecidas em Moçambique por pivas, de acordo com o PNG.
O novo projecto científico resulta de um consórcio que alia os departamentos de investigação e de conservação do parque e peritos oriundos de seis instituições universitárias do Canadá e dos Estados Unidos da América.
Na prática, quinze espécimes adultas de cada variedade foram munidas de coleiras de transmissão dotadas de emissores de telemetria. Estas ferramentas permitirão aos investigadores avaliar continuamente a actividade diária das manadas e a respectiva ocupação do espaço.
O grande objectivo dos biólogos passa por compreender detalhadamente os factores que sustentam o enorme sucesso demográfico destes mamíferos no território. A recolha contínua de dados procurará explicar o modo como os grupos se deslocam entre as áreas de savana aberta e as planícies de inundação, revelando simultaneamente as tácticas que adoptam para escapar aos predadores de topo.
Numa época em que as populações de ungulados da região atravessam naturais flutuações, esta amostra constituirá um marco de referência muito importante para a ciência. Toda a informação telemétrica analisada pela direcção de gestão da Gorongosa, fornecendo indicadores vitais sobre a saúde da fauna e a conectividade territorial para futuras decisões ecológicas.
Além da vertente estritamente analítica, a imobilização temporária dos animais durante a aplicação dos dispositivos proporcionou uma oportunidade pedagógica de excelência para a capacitação de cientistas moçambicanos. Cerca de uma dúzia de estagiários, técnicos e estudantes puderam acompanhar a acção de perto, interiorizando procedimentos clínicos e éticos rigorosos no maneio da vida selvagem.
Toda a operação decorreu sob a supervisão directa dos veterinários e biólogos residentes do parque. Para garantir o absoluto bem-estar da fauna, os protocolos de actuação foram escrupulosamente revistos e validados de forma prévia, quer pelas autoridades de tutela da Gorongosa, quer pelos comités independentes de gestão animal das universidades envolvidas no projecto.



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