Mar 3, 2026 |
O Parque Nacional da Gorongosa resgatou entre 2018 e 2026 animais do mercado clandestino e recebeu entregas voluntárias de comunidades vizinhas.
Ao todo a Gorongosa recuperou 160 pangolins em oito anos, retirando-os das redes de tráfico e de usos associados a crenças locais.
Segundo a administração da área de conservação, 121 animais foram apreendidos no mercado ilegal, sobretudo em rotas destinadas à exportação, sendo que 39 foram entregues voluntariamente por comunidades dos arredores, já conscientes de que a captura constitui crime ambiental, segundo a Agência Lusa.
As autoridades indicam que a rota do tráfico atravessa várias províncias do centro de Moçambique e pode envolver até duas dezenas de intermediários antes de os animais seguirem, maioritariamente, para mercados asiáticos. É frequentemente na troca de mediadores que surgem pistas que permitem às equipas de fiscalização localizar os pangolins e travar o circuito ilegal.
No interior do parque, a resposta passa por um trabalho articulado entre a administração da Gorongosa e as autoridades moçambicanas, com uma equipa dedicada exclusivamente à protecção da espécie.
Como explica a mesma fonte os animais chegam, muitas vezes, em estado debilitado, depois de passarem dias escondidos em sacos de carvão, tambores ou baldes de tinta, sem alimentação adequada e sujeitos a temperaturas impróprias.
Após o resgate, os pangolins são encaminhados para um centro de recuperação dentro da área protegida, onde recebem cuidados intensivos durante dois a quatro meses, até reunirem condições para regressar à natureza. O processo inclui reidratação, alimentação específica e readaptação gradual ao ambiente natural, reduzindo o stress provocado pelo cativeiro ilegal.
O pangolim, único mamífero terrestre totalmente coberto por escamas, é apontado pelas autoridades como uma das espécies mais traficadas do mundo. No caso da Gorongosa, as estimativas internas apontam para uma população de pelo menos 300 indivíduos dentro do parque, embora a contagem seja difícil devido ao comportamento nocturno e discreto do animal. Ainda assim, os responsáveis admitem que o volume de apreensões ao longo dos últimos anos revela a dimensão da pressão exercida pelo tráfico.
Além da fiscalização, o parque tem investido em sensibilização comunitária, incentivando denúncias e entregas voluntárias. A administração sublinha que este trabalho de proximidade tem sido decisivo para reduzir a caça e a captura ilegal, transformando antigos pontos de risco em aliados da conservação.
As autoridades consideram que o reforço das equipas no terreno, a cooperação com as forças de segurança e a educação ambiental serão determinantes para travar o tráfico nos próximos anos e garantir a sobrevivência de uma das espécies mais ameaçadas de Moçambique.
Foto: dzen.ru




