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IA está a contribuir para a conservação de espécies com o TrapTagger

A organização sem fins lucrativos WildEye Conservation desenvolveu o TrapTagger, uma solução de Inteligência Artificial (IA) em open source para contar animais e classificar espécies a partir de imagens de câmaras de armadilhas fotográficas.

A nova ferramenta, que já está a ser usada por 40 organizações e processa 2.000.000 de imagens por mês, está a ajudar especialistas a estudar a reintrodução de espécies na natureza, nomeadamente, em Moçambique onde, segundo a Hello Future, apesar de não nomear nenhum projeto, a organização está a trabalhar em áreas em que está a ocorrer a reintrodução de espécies há muito desaparecidas.

Segundo explica Nicholas Osner, da WildEye Conservation, estas 40 organizações utilizadoras do TrapTagger podem ser encontrados em toda a África, “por exemplo, em Moçambique e Angola, onde as populações de vida selvagem foram dizimadas pela guerra civil”. “A ferramenta está a permitir que os conservacionistas avaliem como as reintroduções estão a progredir. Por exemplo, um dos pesquisadores com quem trabalhamos está a estudar a reintrodução de predadores de topo em áreas onde estavam ausentes há décadas. Usando análises automáticas de imagens, pode descobrir como a presença dos predadores está a afectar outras espécies e se estas estão a ser expulsas de áreas onde normalmente são encontradas”.

Esta inovação surge na sequência do primeiro projecto de IA da WildEye Conservation, um sistema de pesquisa de Elefantes, o Elephant Survey System, que permite que investigadores contem automaticamente elefantes através de fotografias aéreas.

A introdução da IA está agora a ser posta ao serviço da conservação, especialmente na África do Sul, onde especialistas como Nicholas Osner estão a aproveitar a tecnologia para introduzir novas abordagens.

O engenheiro de machine learning explica: “Desenvolvemos um aplicativo web chamado TrapTagger, que usa um algoritmo de código aberto para processar automaticamente imagens de câmaras de armadilhas”, dispositivos que podem ser facilmente fixados em árvores para capturar imagens da vida selvagem. O sistema também pode detectar a presença de humanos e veículos, mas a vantagem crucial desta inovação é sua capacidade de analisar imagens e reconhecer as espécies que nelas aparecem”.

De acordo com Nicholas Osner, “organizações como universidades, que trabalham com conservação de espécies, podem fazer deduções sobre populações e os tipos de espécies presentes na área coberta pelas suas câmaras de armadilha fotográfica, uma vez que carreguem suas imagens para a nuvem.”

Os responsáveis do software também planeiam propor soluções de análise em tempo real, que eventualmente poderiam alertar as autoridades sobre a presença de humanos, que podem ser caçadores, em reservas de vida selvagem.

Foto: wall.alphacoders.com

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