Mar 11, 2025 |
A rápida urbanização de Hoedspruit, outrora uma área rural na África do Sul, está a comprometer os habitats dos leopardos. Estes felinos, conhecidos pela sua discrição e capacidade de adaptação, enfrentam desafios cada vez maiores para sobreviver num território em transformação.
O Ingwe Research Program analisa a presença dos leopardos numa área de 325 km², abrangendo zonas não protegidas entre o Greater Kruger e a Reserva Natural do Cânion do Rio Blyde. O estudo procura compreender como factores ambientais e humanos influenciam os padrões de movimento e utilização do habitat por parte destes animais, de acordo com a Africa Geographic.
Desde 2022, o programa identificou 140 leopardos em Hoedspruit e mais 65 no Greater Kruger. A investigação conta com a participação de 380 cientistas cidadãos, que partilham avistamentos através de uma aplicação móvel, a SMART. Os dados são analisados pelo African Carnivore Wildbook, uma plataforma de inteligência artificial que permite rastrear os movimentos da espécie.
Casos como o do leopardo “Wild Dog Dam male”, que percorreu mais de 50 km em poucos dias, demonstram a importância da recolha e cruzamento de informações. Sem este sistema de monitorização, alguns indivíduos poderiam ser erroneamente identificados como leopardos distintos.
Desaparecimentos inesperados também desafiam os investigadores. O leopardo Tlanga, por exemplo, esteve ausente durante sete meses antes de reaparecer na reserva de Kapama. Já Ntsakelo, outro jovem macho, ficou quatro meses sem ser avistado, ressurgindo depois numa quinta de citrinos.
A interacção entre leopardos e áreas urbanizadas exige uma abordagem cuidadosa para garantir a conservação da espécie. Com a expansão contínua da cidade, programas como o Ingwe Research Program tornam-se essenciais para monitorizar e proteger estes felinos, promovendo a sua coexistência com as populações humanas.


Fotos: toonphotosafari.com e Africa Geographic




