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International Finance Corporation apoia o projecto hidroeléctrico de Mphanda Nkuwa

Fonte: EWT/MWA

A International Finance Corporation (IFC), subsidiária do Grupo Banco Mundial, assinou um acordo com o governo de Moçambique para o desenvolvimento do megaprojecto hidroeléctrico de Mphanda Nkuwa. O projeto, que exigirá um investimento de US$ 4,5 mil milhões, sendo contestado pelo seu impacto nas populações locais.

A subsidiária do Grupo Banco Mundial, responsável pelo financiamento do sector privado, deverá participar na selecção de um parceiro profissional para o desenvolvimento do projecto hidroeléctrico de Mphanda Nkuwa.

A participação da IFC confirma a vontade do governo moçambicano de implementar o projeto como uma parceria público-privada (PPP). O projeto envolve a construção de uma barragem no rio Zambeze. A instalação terá uma altura de 103m e o seu reservatório cobrirá uma área de 97 km2. O reservatório acionará as turbinas de uma unidade com capacidade de 1.500 MW, equivalente à capacidade instalada de um país como o Senegal, 1.555 MW segundo a Power Africa.

O projeto inclui também a construção de uma linha de alta tensão de 1.300 km entre o local do projeto na província de Tete e Maputo, capital de Moçambique. “Uma vez concluído, espera-se que o projeto hidroelétrico de Mphanda Nkuwa forneça eletricidade para atender à crescente demanda doméstica de Moçambique e transformar o país em um pólo energético regional”, diz o IFC. A produção restante deverá ser exportada para países vizinhos, incluindo a África do Sul, onde a demanda por energia limpa é alta.

No entanto, a construção da barragem é controversa devido ao seu impacto ecológico e social. A barragem voltará a influenciar o caudal do rio Zambeze, que já suporta várias barragens e deverá albergar mais com a construção da barragem hidroeléctrica Batoka Gorge de 2400 MW no Zimbabué e na Zâmbia.

A consequência mais direta será a destruição dos sistemas de irrigação a jusante da barragem. Esta interrupção afetará a aquicultura no Delta do Rio Zambeze. Pior ainda, a barragem deve desalojar 1.400 famílias e afetar a subsistência de 200.000 pessoas. A Organização das Nações Unidas (ONU) discordou do projeto, chamando-o de “o projeto de grande barragem menos ambientalmente aceitável na África”. No entanto, a autoridade moçambicana planeia lançar os trabalhos em 2024 para um comissionamento previsto em 2022.

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