Jan 14, 2025 |
A African Wildlife Foundation (AWF) está a desenvolver um estudo que envolve o monitoramento de cinco leões com colares GPS, com o objectivo de analisar como a diminuição de presas afecta o ecossistema, repercutindo-se nas populações de predadores e no equilíbrio do ecossistema.
No vasto território da savana queniana, no Parque Nacional de Tsavo, o investigador Douglas Kamaru, fellow da AWF e doutorando na Universidade de Wyoming, Estados Unidos, lidera um estudo inovador sobre a conservação dos leões.
O estudo de Kamaru não se limita à colecta de dados, mas procura soluções práticas para garantir a sobrevivência dos leões, e pretende ao mesmo tempo ajudar a proteger as comunidades locais que convivem com estes animais.
Com o apoio do Serviço de Fauna Selvagem do Quénia (Kenya Wildlife Service) e da African Wildlife Foundation, o trabalho de Kamaru sublinha a importância da colaboração entre organizações locais e internacionais na preservação da fauna. Os colares GPS fornecem dados em tempo real, permitindo prevenir conflitos e gerir melhor as populações de presas, sendo uma abordagem inovadora que mistura o conhecimento local com a ciência moderna para gerar mudanças duradouras.
O Parque Nacional de Tsavo, que abrange mais de 48.000 quilómetros quadrados é um dos maiores habitats naturais do Quénia, oferecendo um refúgio para cerca de um quinto da população de leões africanos do país. A região é uma verdadeira jóia natural, composta por vastos campos de savana, colinas vulcânicas e florestas ribeirinhas. No entanto, os leões de Tsavo enfrentam várias ameaças, como o aumento do conflito entre humanos e animais selvagens, a perda e fragmentação do habitat, a escassez de presas e a caça furtiva.
Em setembro, Kamaru iniciou a missão de colocar colares em cinco leões em Tsavo, como parte de um estudo que investiga o impacto da diminuição das presas sobre as populações de leões. Utilizando a tecnologia dos colares GPS, Kamaru pretende recolher dados em tempo real que possam ajudar a mitigar os conflitos entre leões e humanos, além de informar estratégias de conservação mais eficazes.
Como relata a AWF, após dias de monitorização paciente, Kamaru e a equipa, composta por guardas-florestais e guias locais, avistaram um grupo de três leoas e seis crias escondidos na vegetação densa. Com o céu nublado, as leoas, com as suas peles douradas, camuflavam-se perfeitamente na savana. Com a ajuda de um veterinário especializado do Kenya Wildlife Service, a equipa aproximou-se cuidadosamente, mantendo o motor do veículo em funcionamento baixo para não alarmar os leões. Após uma abordagem cuidadosa, a leoa foi sedada com um dardo tranquilizante.
O processo de monitorização foi meticulosamente executado: a equipa recolheu dados vitais, como peso, condição dentária e medidas das patas, antes de colocar o colar GPS, um dispositivo que revelará os padrões de movimento, a caça e as interações da leoa dentro do ecossistema.
A baixa densidade de leões em Tsavo – cerca de 1,8 indivíduos por cada 100 quilómetros quadrados – é uma preocupação crescente. Esta escassez sugere problemas relacionados com a disponibilidade de presas e a qualidade do habitat.
A diminuição das presas e a degradação do ambiente podem ter um efeito em cadeia nas populações de leões, forçando-os a percorrer maiores distâncias em busca de alimento, o que aumenta a probabilidade de encontros com os humanos e, consequentemente, de mortes retaliatórias. A colocação de colares GPS ajuda a prever esses movimentos e a intervir antes que os conflitos se intensifiquem.


Fotos: AWF




