Jul 29, 2025 |
Um novo estudo científico revelou uma surpreendente diversidade de anfíbios no Parque Nacional do Gilé. A investigação, liderada por Avelino R. Miguel, da UniZambeze, identificou 22 espécies de rãs, algumas delas em locais onde nunca tinham sido registadas.
Os dados agora divulgados na Herpetology Notes, resultam de trabalho de campo realizado em três habitats distintos — dambo (zonas húmidas), floresta de miombo e floresta ripícola — utilizando métodos como armadilhas de queda, buscas activas e observações ocasionais. A floresta ripícola destacou-se como o ambiente com maior diversidade de espécies. Foram registados 14 gêneros e 10 famílias do total das 22 espécies de rãs localizadas.
Entre os resultados mais relevantes está a descoberta de três espécies de rãs em áreas mais de 500 quilómetros distantes dos seus registos anteriores, o que amplia significativamente o mapa da sua distribuição.
O estudo, com o título original “Assessing amphibian richness in coastal habitats of Gilé National Park, northern Mozambique, with a key to species identification”, fornece ainda uma chave de identificação para facilitar o reconhecimento das espécies em futuras pesquisas ou acções de conservação.
De acordo com a UniZambeze, o autor principal do estudo, Avelino R. Miguel, é investigador e docente da Faculdade de Engenharia Agronómica e Florestal da UniZambeze, tendo trabalhado em conjunto com Hinrich Kaiser, do Leibniz-Institut zur Analyse des Biodiversitätswandels, Museum Koenig, (Bona, Alemanha) e com Natália D. Vargas e Márcio Borges-Martins, ambos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Porto Alegre Brasil).
O Parque Nacional do Gilé é conhecido pela sua biodiversidade, mas os anfíbios continuam a ser um dos grupos menos estudados. Este levantamento representa um avanço importante no conhecimento da fauna local e poderá servir de base para futuras medidas de conservação e monitorização ambiental na região.

Fotos: Magnolia Box e UniZambeze




