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Leão nómada estabelece-se no Parque Nacional do Zinave, o primeiro em décadas

Fonte: Peace Parks Foundation e Africa Geographic | Imagem: Peace Parks Foundation

Após décadas de ausência, uma armadilha fotográfica capturou a primeira imagem conhecida de um leão macho no Parque Nacional Zinave, em Moçambique. O maior predador africano foi atraído por um habitat em recuperação e rico em presas. 

O leão nómada, um jovem adulto com idade entre 4 e 5 anos, foi surpreendido pelo flash de uma máquina automática montada pelo Diretor do Parque, António Abacar. 

Instalada perto da cerca do santuário de 18.600 hectares que existe no interior do Parque Nacional, o flash assustou momentaneamente leão que atacou e partiu a câmara. Felizmente o cartão de memória permaneceu intacto e a fotografia foi recuperada. 

Os leões machos são geralmente expulsos de um bando entre 2 e 3 anos de idade, tornando-se nómades e tentando estabelecer os seus próprios territórios e bandos. Além deste leão há evidências de que uma leoa também se juntou a este macho.

O Parque Nacional do Zinave foi devastado durante a guerra civil em Moçambique e subsequente caça furtiva. Há 10 anos foi lançado um programa intensivo de restauração e reflorestamento. O programa incluiu já a reintrodução de mais de 2.300 animais selvagens (14 espécies) – incluindo 200 elefantes – num santuário dentro do Parque Nacional. 

O leão foi atraído para o habitat rico em presas do santuário que foi estabelecido dentro do Parque Nacional, o que comprova a notável restauração desta área de conservação outrora silenciosa. Esta recuperação levou ao estabelecimento de ecossistemas saudáveis que estão atraindo naturalmente o maior predador da África.

Este registo do regresso do Leão a este habitat em recuperação surge numa nova e emocionante fase no programa de translocação do Zinave – a introdução de predadores. Em 2020 um clã de quatro hienas malhadas foi instalado no Parque e já produziu dois filhotes. Dois leopardos, machos e fêmea, foram também introduzidos com sucesso no final de 2021.

As populações de herbívoros reintroduzidos já cresceram para mais de 9.000 animais, restaurando rapidamente o equilíbrio ecológico do parque e atraindo os primeiros leões.

Com a ajuda de vários doadores, o programa de reintrodução foi acelerado sob um acordo de co-gestão de 20 anos assinado em 2015 entre a Administração Nacional de Áreas de Conservação de Moçambique (ANAC) e a Peace Parks Foundation, com o objetivo final de reabilitar todos os 408.000 hectares do Parque.

Como explica o CEO da Peace Parks Foundation, Werner Myburgh: “com a contínua recuperação e desenvolvimento constante dos três parques nacionais em Moçambique, componentes da Área de Conservação Transfronteiriça do Grande Limpopo, era apenas uma questão de tempo para a vida selvagem começar a mover-se naturalmente entre essas áreas protegidas , mas ver isso a aconter agora na realidade, é um marco importante para a conservação”.

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