Dez 30, 2025 |
Uma pequena macaca foi resgatada semana passada na Macaneta, no distrito de Marracuene, numa acção divulgada por Carlos Serra, activista ambiental e investigador.
De acordo com Carlos Serra, a macaca, membro da espécie macaco cinzento ou macaco vervet (Chlorocebus pygerythrus) foi recuperada a tempo, numa situação em que, caso não fosse encontrada por quem a resgatou, teria muito provavelmente o consumo humano como destino final. “Recuperamos hoje esta pequena Macaca, que, caso não encontrasse comprador, seria muito provavelmente consumida. Vamos hoje libertá-la.”, afirmou na sua página ao mesmo tempo que mostrava o pequeno animal fotografado dentro de uma gaiola.
São recorrentes as menções do ambientalista à presença de macacos cinzentos no mato da Macaneta pelo que esta acção se insere numa postura de respeito pelo ecossistema circundante. A captura de macacos cinzentos insere-se na lei Moçambicana de protecção à fauna bravia sendo ilegal a caça e consumo destes animais.
A lei moçambicana enquadra a caça, o comércio e o consumo de toda a fauna bravia em regime de licenças e proibições gerais, com penas severas para caça furtiva e comércio ilegal. O regime-base é a Lei n.º 10/99, de 7 de Julho (Lei de Florestas e Fauna Bravia), que regula a exploração, comercialização, utilização e transporte de recursos faunísticos em Moçambique.
Caçar sem licença, caçar em desacordo com as condições legais (época, zona, quotas, espécie) ou em áreas de protecção (parques, reservas) constitui infracção punível com multa elevada e pode configurar crime com pena de prisão, sobretudo se envolver espécies protegidas. A exploração, comercialização, utilização e transporte de produtos faunísticos (carne, peles, troféus, etc.) exige sempre autorização/licença, salvo excepções muito específicas previstas na lei.
O caso reacende o debate sobre a protecção da fauna bravia e o consumo de animais selvagens em Moçambique, sublinhando a importância da vigilância comunitária e da educação ambiental como ferramentas centrais para a conservação da biodiversidade.
O resgate ocorreu nas imediações da Casa de Vidro da Macaneta, um ecocentro situado junto ao Macaneta Beach Resort, conhecido por ser uma infra-estrutura construída maioritariamente com materiais reciclados. O espaço resulta de uma iniciativa da Cooperativa Ambiental Repensar e foi edificado com mais de 160 mil garrafas reutilizadas, incorporando igualmente painéis solares e mobiliário produzido a partir de resíduos reaproveitados.
A Casa de Vidro funciona como um centro de educação ambiental e sensibilização para a gestão sustentável de resíduos, numa zona onde a pressão humana e o descarte inadequado de lixo continuam a representar desafios ambientais significativos.
Carlos Serra lidera a Cooperativa de Educação Ambiental Repensar desde 2018 e tem desenvolvido projectos ligados à conservação ambiental, economia circular e desperdício zero. Investigador e docente universitário, coordena actualmente o Centro de Direito do Ambiente, da Biodiversidade e da Qualidade de Vida, na Faculdade de Direito da Universidade Eduardo Mondlane.
Foto: Carlos Serra




