Jan 27, 2026 |
Um novo estudo internacional indica que a descoberta de novas espécies está a acelerar, contrariando a ideia de que a biodiversidade global se aproxima do seu limite.
A identificação de novas espécies está a ocorrer a um ritmo mais elevado do que em qualquer outro período conhecido, com mais de 16 mil descrições anuais, segundo um estudo liderado pela Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, e publicado na revista científica Science Advances.
Em Moçambique um dos locais que tem trazido mais novas espécies ao conhecimento e devida catalogação junto da comunidade científica é o Monte Mabu, localizado na Província da Zambézia, como é disso exemplo a descoberta de um novo escaravelho ou como camaleão Nadzikambia baylissique a KAMBAKU escolheu para ilustrar este estória. O estudo não aponta especificamente o caso de Moçambique.
A investigação contraria a hipótese, defendida em trabalhos anteriores, de que o número de novas espécies descritas por ano teria atingido um pico no início do século XX, sugerindo que restariam poucas por descobrir. De acordo com os autores, os dados mais recentes revelam exactamente o inverso.
A equipa analisou os históricos taxonómicos de cerca de dois milhões de espécies oficialmente descritas, abrangendo todos os grandes grupos de organismos vivos. A taxonomia é a área da biologia responsável pela identificação, descrição, nomenclatura e classificação dos seres vivos, constituindo a base do conhecimento científico sobre a biodiversidade.
No período entre 2015 e 2020, o mais recente com dados globais abrangentes, foram documentadas, em média, mais de 16 mil novas espécies por ano. A maioria corresponde a animais, com mais de 10 mil descrições anuais, sobretudo artrópodes e insectos. Foram ainda identificadas cerca de 2.500 novas espécies de plantas e aproximadamente 2.000 de fungos por ano.
Segundo o estudo, esta taxa de descoberta supera largamente a taxa estimada de extinção, calculada em cerca de dez espécies por ano. “As milhares de espécies identificadas anualmente não se limitam a organismos microscópicos”, sublinha Wiens. “Incluem insectos, plantas, fungos e até centenas de novos vertebrados.”
Os investigadores analisaram igualmente a evolução das taxas de descrição ao longo do tempo, concluindo que os maiores números anuais de novas espécies se concentram nos últimos 20 anos, entre 2000 e 2020. Os grupos mais numerosos — como animais, insectos, escaravelhos e outros artrópodes — foram também os que cresceram mais rapidamente neste período.
No entanto, o estudo mostra que as tendências de longo prazo nem sempre coincidem com os padrões recentes. As taxas de descrição de fungos, por exemplo, aumentaram de forma significativa nos últimos anos, enquanto as dos insectos se mantiveram relativamente estáveis, evidenciando a diversidade de dinâmicas entre grupos biológicos.
Com base nos dados disponíveis, os autores avançam ainda com estimativas sobre o número total de espécies que poderão existir. As projecções sugerem até 115 mil espécies de peixes e cerca de 41 mil espécies de anfíbios, quando actualmente estão descritas aproximadamente 42 mil espécies de peixes e nove mil de anfíbios. No caso das plantas, o número total poderá ultrapassar meio milhão de espécies.
Apesar destas estimativas, os investigadores alertam para a necessidade de cautela. A extrapolação das taxas actuais envolve incertezas consideráveis, mas os resultados indicam que a biodiversidade global é substancialmente mais rica do que a actualmente conhecida pela ciência.
Foto: inaturalist.org




