Skip to main content

Kambaku

Mais de 2.600 crias de tartaruga-marinha alcançaram o mar na temporada 2024/25 na Ponta do Ouro

Jun 10, 2025 |

Entre os meses de Outubro e Março, decorre anualmente o Projecto de Tartarugas de Ponta do Ouro, uma iniciativa essencial para a protecção das tartarugas marinhas que nidificam na costa sul de Moçambique.

A época 2024/25 revelou avanços significativos, tanto em termos de esforço como de resultados, e reafirma a importância deste trabalho contínuo para a conservação das espécies marinhas ameaçadas.

A zona de actuação abrange as praias compreendidas entre Ponta do Ouro (praia norte) até à fronteira com a África do Sul (praia sul), numa das mais ricas e sensíveis faixas costeiras do país. Os dados recolhidos fazem parte de um programa mais vasto desenvolvido pelo Parque Nacional de Maputo e pelo Centro Terra Viva, com o objectivo de partilhar conhecimento com as comunidades locais, apoiantes e financiadores.

De acordo com o Dolphin Encountours Research Center, durante esta temporada, os monitores locais realizaram 178 patrulhas a pé (91 na praia sul e 87 na praia norte), acumulando 453 horas de observação directa entre Outubro de 2024 e Março de 2025. Esta vigilância resultou no registo de 55 rastos de tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) e 3 rastos de tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea), espécie criticamente em perigo.

Foram também aplicadas três novas marcas em tartarugas-cabeçudas, e observados dois exemplares previamente marcados — incluindo uma tartaruga-de-couro com um marcador sul-africano. A maior registada media 1,24 metros.

O sucesso reprodutivo foi particularmente notável: um total de 2.641 crias chegaram ao mar — entre elas, 1.961 cabeçudas e 166 tartarugas-de-couro — com uma melhoria clara face aos anos anteriores. O primeiro nascimento foi registado a 9 de Janeiro e o último a 29 de Março de 2025.

Apesar dos resultados positivos, a temporada não foi isenta de contratempos. Foram registadas duas ocorrências de encalhe: uma tartaruga-cabeçuda em Techobanine, com sinais de possível caça furtiva ou colisão com hélice de embarcação, e outra em Mocumbo.

Adicionalmente, várias tartarugas-verdes (Chelonia mydas), cabeçudas e de-pente (Eretmochelys imbricata) foram observadas por mergulhadores, guias e visitantes ao longo dos recifes costeiros, demonstrando a riqueza biológica da região.

A investigação sobre tartarugas marinhas em Moçambique remonta à década de 1970, embora só tenha sido retomada com consistência nos anos 90 no sul do país. Com o apoio de famílias locais, como os Lombard, e entidades como o Mozambique Turtle Working Group e a KZN Wildlife, o projecto evoluiu para uma referência nacional em conservação.

Hoje, sob a coordenação do Parque Nacional de Maputo (representando a ANAC), e com o apoio da Peace Parks Foundation, Grupo Machangulo, Dolphin Encountours Research Center e outros parceiros, o projecto emprega cerca de 50 monitores locais em toda a região.

Foto: pofoto.club

NEWSLETTER DO MUNDO NATURAL

Subscreva a nossa newsletter e receba notícias do mundo natural.