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Manadas de elefantes ‘zimbabueanos’ passam fronteira em busca de alimento no Banhine e no Zinave

Jul 2, 2024 |

Os elefantes do sobrepopulado do zimabueano Gonarezhou, estão a procurar novos habitats de mopane do lado moçambicano da fronteira nos Parques Nacionais do Banhine e do Zinave, onde a densidade ainda suporta crescimentos populacionais num ecossistema comum.

Parte integrante da Área de Conservação Transfronteiriça do Grade Limpopo (GLTFCA) – juntamente com Kruger, Limpopo, Zinave e Banhine,- o Parque Nacional de Gonarezhou foi palco de um estudo comportamental focado no consumo de vegetação no qual se analisou a capacidade de aquela região suportar populações de elefantes e de qual a capacidade de regeneração da vegetação que a alimenta.

De acordo com a Mongabay, que cita um estudo publicado na Peer J, os elefantes preferem pastar em áreas com ervas curta nas planícies alagadas ou em densos matagais ao longo dos rios. Essas áreas são abundantes nos parques nacionais de Zinave e Banhine, em Moçambique, localizados a cerca de 50 a 100 quilómetros a leste e sudeste de Gonarezhou.

Em várias regiões da África Austral, os elefantes têm sido observados a partir ramos e derrubar troncos de árvores mopane, um comportamento conhecido como “hedging”. Este fenómeno, documentado neste novo estudo no Parque Nacional de Gonarezhou, está a transformar vastas áreas de floresta de mopane em matagal, ameaçando o habitat de muitas espécies que dependem destas florestas.

Os elefantes (Loxodonta africana), reconhecidos como “engenheiros de ecossistemas”, alteram os habitats para atender às suas necessidades, mas isso frequentemente prejudica outras espécies. O “hedging” permite que os elefantes reduzam as árvores dominantes a arbustos baixos, trazendo as folhas ao alcance das fêmeas e suas crias, mas privando outros animais de habitat e fontes de alimento.

No norte de Gonarezhou, perto do rio Runde, a equipa liderada por Tim O’Connor descobriu que os elefantes partiram mais de metade das árvores com cerca de 10 metros de altura. Embora o volume da copa das árvores cortadas ainda seja saudável, as condições de vida para animais que habitam cavidades nas árvores, como pássaros, répteis e pequenos mamíferos, foram severamente comprometidas.

As árvores de mopane cortadas continuam a produzir sementes, mas a maioria da produção vem das poucas árvores grandes restantes, que os elefantes não conseguem quebrar. No entanto, essas árvores maiores são frequentemente despojadas de sua casca pelos elefantes machos durante a estação seca, levando à sua morte lenta.

Gonarezhou alberga atualmente cerca de 11.000 elefantes, resultando em uma densidade de mais de dois elefantes por quilómetro quadrado. Estudos indicam que onde a densidade de elefantes excede 0,5 por quilómetro quadrado, há um impacto significativo nas florestas.

Apesar de um grande influxo de vida selvagem do Kruger para o Parque Nacional Limpopo, os elefantes de Gonarezhou ainda enfrentam dificuldades para expandir seu território. Para chegar ao sul, os elefantes de Gonarezhou precisam atravessar o corredor de vida selvagem de Sengwe e o rio Limpopo, frequentemente em cheia durante o verão. Alguns elefantes estão a abrir novas rotas para a África do Sul e Moçambique, mas a caça e os assentamentos humanos criam uma “barreira de medo”. Assentamentos humanos nos distritos de Massangena e Chicualacuala, apesar de escassamente povoados, formam barreiras lineares ao longo das estradas e rios, dificultando a travessia das elefantes fêmeas e suas crias.

Num continente onde o habitat disponível para elefantes está a diminuir, a GLTFCA oferece uma rara oportunidade de reduzir a pressão sobre as florestas de Gonarezhou e repovoar áreas como Zinave e Banhine.

Foto e infografia: Mongabay

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