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Kambaku

Manica terá primeiro laboratório dedicado à investigação do mel em Moçambique

Jul 28, 2026 |

O Instituto Superior Politécnico de Manica (ISPM) vai acolher o primeiro laboratório moçambicano dedicado à investigação do mel.

O novo equipamento vai permitir analisar a origem botânica do mel através da identificação do pólen, além das suas características físico-químicas, enzimáticas e sensoriais, reforçando a certificação de qualidade e a valorização da produção nacional e será financiado pelo Instituto Camões.

O projecto tem como objectivo impulsionar o desenvolvimento socioeconómico, a conservação da biodiversidade e a segurança alimentar através da apicultura sustentável em áreas protegidas moçambicanas, trabalhando já com milhares de apicultores nos Parques Nacionais da Gorongosa e do Chimanimani.

Segundo a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, a instalação do laboratório em Manica é um dos principais resultados do ProMEL, projecto de cooperação triangular entre Portugal, Moçambique e Argentina, também financiado pelo Camões, I.P. e coordenado por Cristina Máguas, professora do Departamento de Biologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

O anúncio foi feito a 14 de julho, em Maputo, durante a apresentação do ProMEL e do TriCafé II, projecto de produção sustentável de café em sistemas agroflorestais. As duas iniciativas, enquadradas na cooperação triangular promovida por Portugal, juntam universidades, instituições públicas, parques nacionais e parceiros de Moçambique, Portugal, Brasil e Argentina.

Durante a apresentação no novo laboratório em Maputo, Cristina Máguas explicou que a segunda missão do ProMEL em Moçambique permitiu acompanhar a implementação das actividades no terreno, harmonizar metodologias entre parceiros e consolidar o trabalho de investigadores, estudantes e apicultores. A missão juntou pela primeira vez estudantes de licenciatura, mestrado e doutoramento ligados ao ProMEL e ao TriCafé, incentivando novas colaborações científicas entre os dois projectos.

O TriCafé II apoia a recuperação de ecossistemas florestais através da produção de café em sistemas agroflorestais e a formação de jovens investigadores moçambicanos. Na primeira fase, entre 2017 e 2023, o projecto permitiu plantar mais de 800 mil cafeeiros no Parque Nacional da Gorongosa, envolvendo mais de 900 produtores e igual número de famílias, além de criar 183 postos de trabalho permanentes e 98 sazonais e gerar cerca de dez estudos científicos sobre café sustentável no país.

Desde 2024, o TriCafé II alargou a actuação ao Parque Nacional do Chimanimani, onde apoia a recuperação de ecossistemas florestais, estuda espécies nativas de café e desenvolve cafés de especialidade, incluindo uma fase piloto de fermentação. Segundo Ana Ribeiro, investigadora do Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa e coordenadora do programa TriCafé II, Moçambique é o segundo maior centro de endemismo de espécies de café a nível mundial, sendo que as variedades selvagens mostram maior resiliência às alterações ambientais.

Reportagem de há um ano da TVM:

Foto: ProMEL/PNGorogosa

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