Jul 15, 2025 |
Um novo conjunto de mapas detalhados revela a maior migração terrestre de mamíferos do planeta: o percurso anual de milhões de antílopes migratórios que atravessam as vastas zonas húmidas do Sudão do Sul e o Parque Nacional de Gambella, na Etiópia.
Trata-se da chamada “Grande Migração do Nilo”, um fenómeno que envolve cerca de cinco milhões de Cobo de Orelhas Brancas e 400 mil Damaliscos ou Topis Tiang, além de outras espécies de ungulados. Estes animais percorrem longas distâncias para aceder a habitats essenciais durante as estações seca e húmida, numa área que ultrapassa os 100 mil quilómetros quadrados — sete vezes maior que o Parque Nacional do Serengeti.
Os trajectos migratórios ligam os parques nacionais de Badingilo e Boma, no Sudão do Sul, estendendo-se para norte até Gambella, na Etiópia, especialmente importante como refúgio na estação seca entre Fevereiro e Maio. Estes corredores naturais são fundamentais para a sobrevivência das espécies e para a manutenção da diversidade biológica da região.
Os mapas foram desenvolvidos pela Global Initiative on Ungulate Migration, sob a égide da Convenção sobre Espécies Migratórias (CMS), e fazem parte do Atlas de Migração de Ungulados. Disponíveis publicamente, visam apoiar o planeamento de conservação, desenvolvimento de infraestruturas e políticas que garantam a conectividade ecológica, minimizando os conflitos entre humanos e animais.
De acordo com o jornal sul africano Mail & Guardian, os dados baseiam-se em levantamentos aéreos recentes e em seguimento por GPS, que confirmaram a presença de entre 5 a 7 milhões de animais migratórios, incluindo a gazela de Mongalla e o bohor reedbuck.
Apesar da dimensão impressionante destas migrações, o futuro das espécies está ameaçado. O aumento da população humana e da expansão infraestrutural, nomeadamente a exploração petrolífera na zona conhecida como Bloco B2, coloca em risco os corredores migratórios essenciais para o Cobo e o Damalisco.
A exploração petrolífera prevista para 2025 pode interromper estas rotas, aumentar a invasão humana e potenciar a caça ilegal, alertam os especialistas. Já se regista uma escalada na caça furtiva de tiang ao longo das estradas, evidenciando a urgência de planeamento consciente.
No Sudão do Sul, onde o comércio ilegal de fauna e a exploração petrolífera representam ameaças crescentes, a colaboração com as comunidades locais é vital para a proteção das espécies migratórias.
A conservação destes animais migratórios está também alinhada com compromissos internacionais, como o Quadro Global para a Biodiversidade de Kunming-Montreal e os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.
Foto: Marcus Westberg




