Dez 24, 2024 |
Uma recente investigação sobre mantas de recife revelou um comportamento surpreendente e crucial para a sua preservação. Dados recolhidos ao longo de vários anos mostram que estes animais mantêm uma forte ligação às águas protegidas de iSimangaliso, na África do Sul, onde passam a maior parte do tempo, mas ocasionalmente deslocam-se até Moçambique.
De acordo com a Save our Seas, a investigação teve início em 2021, quando a investigadora Nakia Cullain, motivada pela redução drástica de avistamentos de mantas em Moçambique, decidiu aprofundar os estudos sobre a população de Zavora. Posteriormente, associou-se ao Dr. Ryan Daly e descobriu-se que as mantas de recife cruzam as fronteiras marítimas, marcando a primeira migração internacional registada para a espécie.
Com apoio de instituições como a Pure Ocean e a Save Our Seas Foundation, foram implantados 67 dispositivos de monitorização (acústicos e por satélite) em mantas, tanto em Moçambique como na África do Sul. Estes dados oferecem uma visão única sobre os movimentos e comportamentos das mantas, reforçando a necessidade de colaboração internacional para a sua protecção.
O Parque do Estuário de iSimangaliso, uma zona de protecção integral na África do Sul, revelou-se um refúgio essencial para as mantas de recife. Os estudos mostram que este santuário oferece um habitat seguro onde as mantas prosperam, longe das ameaças humanas. Contudo, os deslocamentos esporádicos até Moçambique demonstram que a conservação eficaz exige uma abordagem coordenada entre os dois países.
Este padrão migratório ressalta a importância de estratégias de conservação transfronteiriças, sublinhando a necessidade de colaboração entre Moçambique e África do Sul para proteger estas espécies vulneráveis.
O comportamento das mantas nos dois países evidencia que a conservação não pode ser limitada por fronteiras. É essencial que Moçambique e África do Sul alinhem esforços para assegurar a protecção destes animais e dos seus habitats críticos.
Com o avanço das análises de dados, espera-se que este trabalho proporcione informações valiosas para guiar estratégias de conservação eficazes e sustentáveis, garantindo um futuro mais seguro para as mantas de recife ao longo da costa do sudeste africano.

Fotos: Ryan Daly/Save the Oceans/MMF




