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Kambaku

MMF expande rede de receptores acústico a mais de 500 km da costa moçambicana

Jan 20, 2025 |

A Marine Megafauna Foundation (MMF) desenvolveu uma rede de mais de 30 receptores acústicos ao longo de 500 km de costa em Moçambique, integrando um sistema regional com investigadores da África do Sul, Madagáscar e outros países.

Este projecto internacional fornece dados detalhados sobre os movimentos de algumas das espécies marinhas mais ameaçadas do mundo, incluindo raias-guitarra criticamente em perigo, tubarões-zebra em risco e as muito raras raias-águia-ornadas, entre outras, de acordo com a MFF.

Um dos resultados mais impressionantes publicados em 2025 revelou um tubarão-touro que percorreu mais de 2.000 km desde Moçambique até à ponta sul da África do Sul, seguindo depois outros 5.000 km até à costa da Nigéria, na África Ocidental.

Também em Moçambique, nove raias-guitarra criticamente ameaçadas foram marcadas no Santuário da região de Bazaruto. O estudo dos seus movimentos locais e regionais permitirá a criação de uma zona de protecção sem redes que inclua o habitat crítico destas espécies. A equipa da MMF completou ainda mais de 150 implantações de câmaras subaquáticas para avaliar a diversidade e abundância de tubarões e raias na região.

Para além da investigação, a MMF contribuiu em 2025 para a descrição de uma nova espécie de manta, a avaliação global de conservação de tubarões-baleia e a implementação de iniciativas que apoiam as comunidades costeiras, incluindo formação de jovens em conservação marinha. Estes esforços permitiram ainda identificar novas áreas como Importantes para Tubarões e Raias a nível mundial.

Os estudos da MMF documentaram um declínio de 89% nos tubarões-baleia em Moçambique e 82% na observação de mantas de recife em Závora.

A investigação moçambicana incluiu ainda estudos reprodutivos com ultrassons subaquáticos e monitorização por vídeo, contribuindo para compreender melhor a ecologia destas espécies. Estes dados científicos apoiam a definição de políticas de conservação e a colaboração com comunidades locais, reforçando a importância de zonas protegidas efectivas.

A MMF combina ciência, educação e acção comunitária para proteger gigantes marinhos. Em 2025, mais de 1.400 crianças participaram em programas de educação marinha, 362 aprenderam a nadar e 76 embaixadores locais do oceano transmitiram lições de conservação a mais de 6.500 pessoas. Estes esforços são acompanhados de treino de guardas marinhos e apoio a comunidades costeiras, incluindo grupos de poupança e projectos de resiliência climática.

Com a expansão da investigação em Moçambique e outros locais como Indonésia, Omã, Austrália e Estados Unidos, a MMF continua a fornecer dados essenciais sobre os movimentos e comportamento de tubarões e raias, reforçando a necessidade de acção regional e internacional para a sua protecção.

Foto: seattleaquarium.org

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