Fev 4, 2025 |
A Marine Megafauna Foundation (MMF) revelou, pela primeira vez, os resultados de mais de duas décadas de investigação sobre raias-manta que habitam as águas da África do Sul.
O estudo, conduzido por Michelle Carpenter, a investigadora Nakia Cullain (candidata a doutoramento) e por Ryan Daly, apresenta um retrato sem precedentes das populações de Mobula alfredi (raia-manta de recife) e Mobula birostris (raia-manta oceânica), revelando padrões de movimento e habitats essenciais para a conservação destas espécies.
De acordo com a MFF, organização baseada em Inhambane, as principais conclusões passam pela identificação das principais rotas migratórias e padrões de deslocação entre diferentes regiões costeiras, pelo mapeamento de habitats fundamentais para ambas as espécies e pelo registo de características populacionais até agora desconhecidas, específicas das águas sul-africanas.
Como explica a organização, as raias-manta de recife e oceânicas têm sido avistadas com frequência na costa da África do Sul, mas até ao momento pouco se sabia sobre a distribuição destas espécies na região. Através da colaboração com a ciência cidadã, investigadores reuniram registos desde 2003, permitindo identificar seis áreas de avistamento contínuo nas províncias de KwaZulu-Natal (KZN) e Cabo Oriental.
A equipa conseguiu foto-identificar 184 indivíduos com base no seu padrão único de manchas ventrais, dos quais 139 pertencem à espécie M. alfredi e 45 à M. birostris. Os dados indicam que a maior parte dos indivíduos M. alfredi foram registados no Parque da Zona Húmida de iSimangaliso (IWP), em KwaZulu-Natal (89%; n = 119), enquanto quase metade dos M. birostris foi documentada na zona de Aliwal Shoal (48%; n = 22).
O estudo também revelou ligações transfronteiriças entre a população de raias-manta da África do Sul e a do sul de Moçambique. Foram identificados 32 registos novos de 28 Mantas alfredi previamente fotografadas na província de Inhambane, em Moçambique, com maior incidência na zona de Závora (n = 27). Um dos espécimes viajou várias vezes entre o Parque de iSimangaliso e Závora, percorrendo um total de 1305 km, enquanto outro deslocou-se entre a Área Marinha Protegida de Pondoland e o IWP, uma distância superior a 600 km.
Adicionalmente, a pesquisa alargou a área de ocorrência conhecida da M. alfredi na África Austral em mais de 500 km para sul, desde a Praia de Mdumbi até ao Porto de Ngqura, na província do Cabo Oriental.
Estas descobertas representam a primeira avaliação detalhada das agregações de raias-manta em águas sul-africanas, reforçando a importância do Parque de iSimangaliso como habitat crítico para a M. alfredi. Além disso, os dados indicam que a população de M. alfredi na África Austral poderá ser uma das mais móveis do mundo.
Os investigadores esperam que esta pesquisa sirva de base para novos esforços de conservação e gestão transfronteiriça, promovendo a proteção eficaz das raias-manta ao longo das costas de KwaZulu-Natal e Cabo Oriental. Com informação mais detalhada sobre os padrões de migração e habitats essenciais, será possível desenvolver estratégias de conservação mais robustas, garantindo um equilíbrio sustentável entre a biodiversidade marinha e as atividades humanas na região.
Fotos: MMF




