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Kambaku

Moçambique integra iniciativa global para mapeamento de pradarias marinhas no Índico Ocidental

Mar 11, 2025 |

Moçambique é um dos países abrangidos pelo ambicioso projecto internacional Large-scale Seagrass Mapping and Management Initiative (LaSMMI), que visa mapear e proteger pradarias marinhas ao longo da costa do Oceano Índico Ocidental.

A iniciativa, que cobre mais de 2 milhões de quilómetros quadrados de oceano e 9.500 km de costa, pretende reforçar a conservação destes ecossistemas essenciais para o armazenamento de carbono azul e a biodiversidade marinha, como conta a Mongabay.

A revelação de que mais de 90% do carbono azul das Seychelles está armazenado em pradarias marinhas destacou a importância destes habitats subaquáticos na mitigação das alterações climáticas.

Contudo, o facto de não existir um mapa padronizado para a região leva a que os ecossistemas de pradarias marinhas não sejam amplamente incluídos em políticas de gestão.

O LaSMMI é desenvolvido por organizações como a Pew juntamente com a Western Indian Ocean Marine Science Association, a Universidade de Southampton e instituições de investigação regionais.

Moçambique, com uma linha costeira superior a 2.500 km, desempenha um papel crucial nesta investigação. As pradarias marinhas, para além de armazenarem carbono, servem como habitat para diversas espécies marinhas e sustentam as comunidades pesqueiras locais. Estes ecossistemas são essenciais para cerca de 20% das principais pescarias globais.

Contudo, as pradarias marinhas enfrentam ameaças crescentes. O aumento de nutrientes nas águas costeiras favorece a proliferação de algas, reduzindo a luz essencial ao crescimento das plantas. Além disso, actividades como dragagens, ancoragem de embarcações e a utilização de redes de pesca danificam gravemente estas áreas.

O LaSMMI pretende concluir o mapeamento e a avaliação dos stocks de carbono azul até 2026. A meta é ambiciosa, mas urgente, dado que, nos últimos cem anos, pelo menos um terço das pradarias marinhas do mundo desapareceu. A participação de Moçambique no projecto pode impulsionar políticas de conservação e permitir que o país integre o carbono azul no seu inventário nacional de emissões, seguindo o exemplo das Seychelles, que já assumiram esse compromisso para 2025.

Com a crescente pressão sobre os ecossistemas marinhos, o sucesso desta iniciativa pode representar um avanço decisivo na protecção dos oceanos e na sustentabilidade das comunidades costeiras moçambicanas.

Foto: Wikipedia

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