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Kambaku

Moçambique integra nova vaga de projectos para conservação de ervas marinhas

Mar 10, 2026 |

Comores, Quénia, Madagáscar, Moçambique e Tanzânia integram catorze novos projectos de conservação de ervas marinhas destinados a restaurar habitats costeiros e fortalecer a economia azul.

A iniciativa foi anunciada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) no âmbito do programa regional Great Blue Wall, coincidindo com as celebrações do Dia Mundial das Ervas Marinhas.

Os projectos serão implementados nestes cinco países da costa do Oceano Índico ocidental e pretendem recuperar ecossistemas marinhos degradados e promover soluções de gestão sustentável lideradas por organizações locais.

Entre as organizações seleccionadas para receber financiamento encontram-se a APARCO, em Moçambique, a Coastal & Marine Resource Development no Quénia, a Conservation of Nature for Survival e Sustainable Ocean Alliance na Tanzânia e o Bureau d’Etudes Environnementales des Comores, nas Comores, de acordo com a Oceanographic.

As ervas marinhas ocupam apenas cerca de 0,1% do fundo oceânico mundial, mas desempenham um papel fundamental na regulação climática e na produtividade marinha. Estes habitats são responsáveis por armazenar aproximadamente 18% do carbono presente nos oceanos e funcionam como áreas de alimentação e refúgio para milhares de espécies marinhas, incluindo cavalos-marinhos, tartarugas e diversos peixes que sustentam importantes pescarias em várias regiões do mundo.

Apesar da sua relevância ecológica e económica, estes ecossistemas têm vindo a diminuir de forma significativa desde a década de 1930. Dados das Nações Unidas indicam que cerca de 7% das áreas globais de ervas marinhas desaparecem todos os anos. Entre os principais factores responsáveis pelo declínio encontram-se o desenvolvimento costeiro desordenado, a poluição, as alterações climáticas, as dragagens e actividades de pesca e navegação sem controlo adequado.

A nova fase da iniciativa Great Blue Wall procura contrariar esta degradação através da criação de um “living blue belt”, ou cinturão azul vivo, que ligará os cinco países participantes numa estratégia regional de conservação marinha. A abordagem aposta na coordenação entre governos, comunidades costeiras, organizações da sociedade civil e instituições científicas.

Os financiamentos atribuídos serão canalizados directamente para organizações locais que irão implementar soluções adaptadas aos contextos nacionais e comunitários. Entre as intervenções previstas estão a expansão de Áreas Marinhas Geridas Localmente, o desenvolvimento de bases científicas para projectos de restauro de ervas marinhas e a identificação de oportunidades económicas sustentáveis ligadas à chamada economia azul regenerativa.

Estas iniciativas incluem, por exemplo, o reforço de pescarias artesanais sustentáveis e a promoção de turismo marinho associado à conservação de espécies emblemáticas, como o dugongo.

Além da importância para a biodiversidade marinha, os prados de ervas marinhas desempenham também um papel essencial na protecção das comunidades costeiras. Estes ecossistemas ajudam a reduzir a energia das ondas e contribuem para atenuar os impactos de tempestades e inundações, ao mesmo tempo que ajudam a combater a acidificação dos oceanos e a proteger ecossistemas sensíveis como os recifes de coral.

Foto: Lewis Michael Jeffries/Oceanographic

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