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Kambaku

Moçambique, Malawi e Tanzânia lançam gestão integrada da bacia do rio Rovuma

Mar 17, 2026 |

Os três países atravessados pelo Rovuma lançaram uma iniciativa regional destinada a reforçar a gestão integrada da bacia do rio e zonas costeiras associadas.

Os governos de Moçambique, Malawi e Tanzânia anunciaram oficialmente o arranque de uma nova iniciativa regional destinada a reforçar a gestão integrada da bacia hidrográfica do rio Rovuma e das suas zonas costeiras.

Trata-se de um ecossistema transfronteiriço considerado vital para a biodiversidade, os recursos de água doce e os meios de subsistência das populações da região, de acordo com o IUCN.

O projecto, com duração prevista de cinco anos, intitula-se “Strengthening Integrated Transboundary Source-to-Sea Management of the Ruvuma River Basin and its Coastal Zones to Ensure Ecosystem Health and Livelihood Security” e conta com financiamento do Global Environment Facility (GEF), num montante de 7,12 milhões de dólares norte-americanos.

A iniciativa é liderada pela IUCN – União Internacional para a Conservação da Natureza, na qualidade de agência implementadora do GEF, em parceria com a Global Water Partnership Southern Africa (GWPSA), principal entidade executora. O projecto conta ainda com a participação da Wetlands International – Eastern Africa como co-executora e com o Secretariado para o Desenvolvimento e Gestão Conjunta da Bacia do rio Rovuma.

O programa adopta a abordagem conhecida como “source to sea”, que liga a gestão dos ecossistemas terrestres, de água doce e costeiros, reforçando simultaneamente a cooperação transfronteiriça e promovendo meios de subsistência sustentáveis e resilientes às alterações climáticas para as comunidades que vivem na bacia nos três países.

Durante a reunião de arranque do projecto, o representante nacional da IUCN na Tanzânia e coordenador regional do programa, Charles Oluchina, destacou a importância da colaboração regional para enfrentar desafios ambientais e de desenvolvimento interligados.

Delegados dos três países ribeirinhos sublinharam igualmente o papel crucial da cooperação regional na gestão de recursos hídricos partilhados e na protecção dos ecossistemas que sustentam as comunidades além-fronteiras.

Segundo Carlitos Momade Omar, director-geral da ARA-Norte IP, representante de Moçambique e presidente do Secretariado para o Desenvolvimento e Gestão Conjunta da Bacia do rio Rovuma, destacou a necessidade de enfrentar os desafios ambientais a partir de uma visão integrada de toda a bacia.

Na qualidade de país anfitrião da reunião de lançamento, o Governo da Tanzânia salientou a importância de uma acção coordenada e da responsabilidade partilhada para promover o desenvolvimento sustentável na região.

Espera-se que o Projecto Transfronteiriço do Rovuma produza benefícios ambientais e socioeconómicos concretos para os ecossistemas e para as comunidades que vivem ao longo da bacia. Entre os resultados previstos estão a restauração de mais de 88 mil hectares de terras e ecossistemas degradados, a promoção de melhores práticas de gestão da paisagem em cerca de 280 mil hectares e o benefício directo para mais de 50 mil pessoas através do reforço dos meios de subsistência, da melhoria da governação da água e da gestão sustentável dos ecossistemas.

A iniciativa prevê igualmente fortalecer os quadros institucionais para a governação transfronteiriça da água e das zonas costeiras, promover decisões baseadas em evidência científica e incentivar a partilha de experiências e boas práticas entre os países ribeirinhos.

O rio Rovuma, que nasce nas montanhas de Matagoro, no sudeste da Tanzânia, percorre cerca de 760 quilómetros até desaguar no Oceano Índico, aproximadamente 32 quilómetros a norte do Cabo Delgado. Ao longo de cerca de 650 quilómetros, o rio forma a fronteira natural entre Moçambique e a Tanzânia, sendo alimentado por vários afluentes importantes, entre os quais os rios Lugenda, Lucheringo, Likonde, Muhuwesi e Lumesule.

Imagem: DR

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