Ago 11, 2026 |
O Governo de Moçambique prepara legislação para autorizar o abate selectivo de fauna em áreas de conservação com populações animais excessivas.
O anúncio foi feito pelo Secretário de Estado das Terras e Ambiente, Gustavo Djedje, na cerimónia de abertura do Diálogo Nacional sobre Áreas de Conservação Transfronteiriças, realizado em Maputo.
O encontro reuniu na capital delegações de Moçambique, África do Sul, Zimbabwe, Zâmbia, Tanzânia e Essuatíni, bem como representantes da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), parceiros de cooperação e organizações de conservação,.
Segundo Djedje, a medida integra a revisão da política nacional de conservação e será aplicada, numa primeira fase, em zonas onde o crescimento das populações animais está a agravar os conflitos com as comunidades locais.
O governante adiantou que está em preparação um decreto específico para regulamentar o processo de abate, permitindo a gestão das populações animais em determinadas áreas protegidas, de acordo com o Club of Mozambique/Agência Lusa.
O Secretário de Estado lembrou também que o Governo está a reclassificar as áreas de conservação para actualizar fronteiras definidas na década de 1960, que já não reflectem a realidade territorial actual, marcada pelo crescimento demográfico e pela expansão das actividades económicas.
O número de parques, reservas, zonas de caça e áreas de conservação comunitária mantém-se inalterado, mas os respectivos limites e superfícies serão revistos, com os primeiros resultados do processo previstos para setembro.
O mais recente censo nacional registou 22.708 elefantes no país, um aumento atribuído ao reforço das medidas de protecção e ao combate à caça furtiva, mas que tem também intensificado os conflitos nas zonas limítrofes das áreas protegidas.
Moçambique integra cinco áreas de conservação transfronteiriças da SADC: o Grande Limpopo, com a África do Sul e o Zimbabwe; Lubombo, com a África do Sul e a Essuatíni; Chimanimani, com o Zimbabwe; Niassa-Selous, com a Tanzânia; e ZIMOZA, com a Zâmbia e o Zimbabwe – zonas estratégicas para a gestão conjunta da biodiversidade e dos corredores ecológicos da região.
Foto: wwf.fi




