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Kambaku

Moçambique reforça corredores ecológicos para zonas tampão entre os parques do Grande Limpopo

Abr 15, 2025 |

Moçambique está a reforçar a sua rede de corredores ecológicos com o objectivo de estabelecer zonas tampão eficazes entre os principais parques nacionais do Grande Limpopo, Limpopo, Zinave e Banhine e áreas transfronteiriças com o Zimbabwe.

De acordo com a ANAC, a iniciativa cobre, mais concretamente quatro ligações ecológicas no sul do país: entre o Parque Nacional do Limpopo e o Parque Nacional de Banhine; entre Banhine e o Parque Nacional do Zinave; entre Banhine e o Parque de Gonarezhou, no Zimbabwe; e entre o Parque Nacional do Limpopo e a Área Comunal de Sengwe, também no Zimbabwe.

Estes corredores ecológicos visam restaurar a conectividade entre áreas protegidas fragmentadas pela actividade humana, permitindo o livre movimento da fauna bravia, promovendo a recuperação dos ecossistemas e criando uma rede integrada de conservação transfronteiriça.

Este projecto, com um financiamento de cerca de 14 milhões de euros disponibilizados pela Global Environment Facility e pela União Europeia, terá uma duração de cinco anos e procura harmonizar a coexistência entre comunidades locais e vida selvagem e impulsionar oportunidades de desenvolvimento sustentável.

A implementação dos corredores insere-se no Plano Distrital de Uso da Terra de Mapai, e representa um esforço coordenado entre o governo moçambicano e organizações parceiras, como a Peace Parks Foundation.

Apesar do seu elevado potencial ecológico e económico, os corredores enfrentam desafios significativos como o uso do fogo para agricultura, o desmatamento para pastagens e a extracção de carvão vegetal, que têm contribuído para a degradação ambiental. Adicionalmente, os conflitos entre comunidades e animais selvagens continuam a ser uma preocupação. Para mitigar estes impactos, o projecto prevê o desenvolvimento de planos específicos de uso da terra, a criação de iniciativas comunitárias geradoras de rendimento e a promoção da educação ambiental, incentivando práticas mais sustentáveis.

A Peace Parks Foundation tem desempenhado um papel essencial, contribuindo com apoio técnico e financeiro e reforçando a vertente turística como motor de desenvolvimento. O Parque Nacional do Limpopo, por exemplo, já dispõe de infra-estruturas com capacidade para mais de mil camas e está ligado ao Parque Kruger, na África do Sul, que recebe cerca de dois milhões de visitantes por ano. O Parque Nacional de Banhine, apelidado de “mini-Okavango”, tem também potencial para expansão turística, oferecendo novas oportunidades para o sector.

Na semana passada, em Mapai, decorreu um seminário sobre modelos de governação dos corredores ecológicos, inaugurado pelo Secretário de Estado da Terra e Ambiente, Gustavo Dgedge. O evento reforçou a necessidade de uma maior integração das comunidades locais na gestão das áreas protegidas. Bartolomeu Soto, Director Regional da Peace Parks Foundation, sublinhou que investimentos sustentáveis no turismo podem gerar emprego, rendimentos e infra-estruturas essenciais para a melhoria da qualidade de vida das populações locais.

Foto: ANAC

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