Jul 7, 2025 |
Morreu no passado Sábado, dia 5 de Julho, na cidade de Maputo, Roberto Zolho, um dos nomes mais marcantes da conservação da biodiversidade em Moçambique.
Com uma carreira de mais de três décadas dedicada à defesa dos recursos naturais, Zolho é recordado como um verdadeiro pioneiro na gestão das áreas de conservação e vida selvagem no país.
A notícia do seu desaparecimento físico foi recebida com profunda consternação pela Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC) e pelas múltiplas entidades que com ele trabalharam ao longo dos anos.
Em reconhecimento pelo seu notável percurso, o Estado moçambicano atribuíra-lhe, em 2022, a Medalha de Mérito Ambiental, distinção concedida pelo Presidente da República como forma de homenagear o seu inestimável contributo à causa da preservação da natureza.
Roberto Zolho possuía uma sólida formação académica e técnica. Era Mestre em Gestão de Recursos Naturais pela Universidade de Edinburgh (2005), Licenciado em Sistemas Naturais e Gestão da Vida Selvagem pela Universidade de Queensland (1994), e detinha ainda diplomas em Gestão da Vida Selvagem pelo College of African Wildlife Management, na Tanzânia (1985), e em Silvicultura pelo Instituto Agrário de Chimoio (1982).
Ao longo da sua extensa trajectória profissional, destacou-se na liderança de diversas instituições e projectos de conservação. Entre os cargos de maior relevo, salienta-se o de Administrador do Parque Nacional da Gorongosa, função que desempenhou entre 1996 e 2007. Desempenhou ainda funções como Chefe dos Serviços Provinciais de Florestas e Fauna Bravia na Província de Sofala e coordenou projectos de alcance nacional e regional no âmbito da restauração de paisagens florestais, alterações climáticas e gestão transfronteiriça da vida selvagem.
Foi, além disso, um dos fundadores da Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND) e da Southern African Game Ranger Association (GRAA), demonstrando o seu compromisso não apenas com a conservação directa, mas também com o fortalecimento institucional e a formação de novas gerações de profissionais do sector.
Zolho trabalhou em estreita colaboração com organismos governamentais, organizações não-governamentais e entidades privadas em Moçambique, Tanzânia, África do Sul e Austrália, deixando por onde passou uma marca de profissionalismo, visão estratégica e paixão pela natureza.

Fotos: Biofund




