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Kambaku

Morte de leopardos em Hoedspruit leva a medidas de protecção adicionais no Grande Kruger

Fev 16, 2026 |

A região de Hoedspruit, na África do Sul, está a reforçar medidas de protecção rodoviária no Grande Kruger após a morte de vários leopardos nas estradas da região.

Desde meados de 2024, pelo menos oito leopardos morreram vítimas de atropelamento nas estradas de Hoedspruit, na província de Limpopo, uma zona que faz fronteira com o ecossistema do Grande Kruger. Cinco destes incidentes aconteceram na estrada R40, um dos principais eixos rodoviários que atravessa áreas de elevada sensibilidade ecológica.

De acordo com a Africa Geographic, as autoridades e organizações de conservação alertam que estas mortes representam um risco sério para a saúde genética da população local de leopardos, já pressionada pela expansão urbana e pelo aumento do tráfego automóvel.

Apesar de serem predadores resilientes, discretos e altamente adaptáveis, os leopardos dependem de corredores naturais para se deslocarem entre territórios, cada vez mais fragmentados pelo desenvolvimento humano.

Em resposta a esta situação, o Ingwe Research Program lançou o Projecto de Ecologia Rodoviária, uma iniciativa que visa identificar zonas críticas de atropelamento, mapear rotas de atravessamento da fauna selvagem e avaliar infra-estruturas existentes, como passagens inferiores e aquedutos, que possam ser adaptados para uso animal.

Recentemente, o programa contou com a colaboração da Africa Geographic e da SANRAL, a agência nacional sul-africana responsável pelas estradas, para a instalação de sinalização específica de travessia de predadores ao longo da R40. O objectivo é alertar os condutores para a presença frequente de vida selvagem e reduzir a velocidade em troços considerados de alto risco.

Activo na região do Grande Kruger desde o final de 2022, o Ingwe Research Program começou como um projecto pioneiro de ciência cidadã, envolvendo guias, lodges, reservas privadas e voluntários no registo de observações de leopardos. Ao longo de três anos, a equipa reuniu mais de 14 mil registos e identificou cerca de 200 indivíduos só na área de Hoedspruit, criando a base de dados mais completa sobre leopardos nesta região.

Esta informação tem permitido compreender padrões de dispersão, sobreposição de territórios e ameaças específicas, desde propriedades de conservação a zonas agrícolas. Para além da redução de atropelamentos, o programa trabalha também na prevenção de conflitos entre humanos e leopardos, promovendo estratégias de coexistência informadas.

Foto: Nick Ferreira&Africa Geographic

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