Out 7, 2025 |
Um novo estudo indica que a Reserva Especial do Niassa acolhe entre 68 e 76 casais reprodutores do falcão-de-taita e é um dos habitats mais importantes desta espécie ameaçada.
A Reserva Especial do Niassa, no norte de Moçambique, surge agora como reduto crucial para a sobrevivência do falcão-de-taita (Falco fasciinucha), uma das aves de rapina mais raras do mundo.
O estudo, apoiado pela Peregrine Fund e pela BirdLife South Africa, sublinha que este refúgio ganha particular importância após o colapso populacional da espécie na África do Sul e no Zimbabwe, outrora bastiões de nidificação.
Contudo, as ameaças não estão ausentes. A expansão agrícola, a produção de carvão vegetal e a presença de aves domésticas poderão favorecer a instalação de espécies concorrentes, invertendo o equilíbrio que até agora sustenta os falcões-de-taita.
Ainda assim, investigadores como Natasha Ribeiro, da Universidade Eduardo Mondlane, lembram que a dimensão da reserva e a resiliência natural das florestas de miombo atenuam os impactos humanos.
A investigação realizada em 2021 identificou 14 ninhos activos em apenas 35 formações rochosas da área, levando os cientistas a estimar que toda a reserva poderá albergar até 76 casais reprodutores — o maior contingente documentado da espécie a nível mundial, de acordo com a Mongabay.
Com quatro milhões de hectares de floresta de miombo praticamente intacta, o Niassa oferece condições ideais à espécie, cujos hábitos de caça assentam em emboscadas lançadas a partir das imponentes montanhas de granito que dominam a paisagem.
Dali, os falcões lançam-se sobre aves insectívoras velozes, como andorinhões e papa-moscas, beneficiando de uma vantagem competitiva face a falcões-peregrinos e peneireiros, que necessitam de áreas mais abertas e presas de maior porte.
Segundo os autores do estudo, a prioridade passa por proteger os habitats intactos de Niassa, garantindo diversidade genética e estabilidade populacional. A preservação desta paisagem poderá ser decisiva para evitar que a espécie siga o mesmo caminho de declínio já verificado noutras regiões africanas.

Fotos: Em cima Claire Spottieswoode | Em baixo: Imagens de David Allan (à esquerda) e Ron Hartley (à direita) em Mongabay.




