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Kambaku

Norte de Moçambique designado ‘World Restoration Flagships’ durante Conferência dos Oceanos da ONU

Jun 24, 2025 |

Moçambique foi distinguido com uma das mais altas honras no campo da conservação marinha durante a Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos, realizada na semana passada em Nice, França.

A região do Canal de Moçambique Norte foi oficialmente reconhecida como uma ‘World Restoration Flagships’, numa iniciativa conjunta do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA) e da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).

A distinção coloca Moçambique entre os países líderes mundiais em matéria de restauração ecológica marinha, com destaque para a recuperação de recifes de coral, mangais e florestas costeiras, através de uma gestão pesqueira mais sustentável e intervenções integradas em paisagens marinhas e terrestres.

O Canal de Moçambique Norte, que abrange além de Moçambique mais três países – Tanzania, Madagáscar e Comoros – alberga 35% de todos os recifes de coral do Oceano Índico, sendo considerado um viveiro essencial de biodiversidade marinha. No entanto, esta zona estratégica enfrenta ameaças sérias como a sobrepesca, a poluição proveniente da agricultura e fenómenos climáticos extremos, de acordo com a ONU.

Moçambique, juntamente com as Comores, Madagáscar e Tanzânia, está a implementar um plano conjunto de restauração ecológica em mais de 87.000 hectares, integrando mangais, recifes de coral e zonas florestais tropicais – um esforço apoiado por organizações como a WWF e agências da ONU.

Entre as medidas em curso destacam-se a criação de corredores ecológicos para ligar ecossistemas fragmentados, a recuperação de habitats costeiros e o reforço da governação comunitária da pesca. Estas acções pretendem não só recuperar o ambiente, mas também melhorar o bem-estar das comunidades costeiras.

Até 2030, estima-se que sejam restaurados até 4,85 milhões de hectares, o que poderá gerar mais de 2.000 empregos e aumentar em 30% os rendimentos familiares nas zonas-alvo. O plano inclui também a fundação de 12 empresas comunitárias com base em práticas indígenas sustentáveis.

A nível climático, a restauração destes ecossistemas permitirá uma maior absorção de dióxido de carbono. Os mangais de Madagáscar, por exemplo, já armazenam o equivalente a mais de 300 milhões de toneladas de CO₂, um contributo vital para mitigar os efeitos das alterações climáticas.

A Conferência sobre os Oceanos da ONU em Nice serviu como palco para o anúncio oficial desta distinção. O evento reforçou a urgência de acelerar a implementação do Objectivo de Desenvolvimento Sustentável 14 (Conservar e utilizar de forma sustentável os oceanos, mares e recursos marinhos), sublinhando também a necessidade de financiamento acrescido e responsabilidade nas promessas feitas por estados e instituições.

Durante a conferência, foi também celebrada a ratificação do Tratado dos Mares Altos, que se aproxima agora da sua entrada em vigor, um passo importante na protecção de águas internacionais.

O reconhecimento do Canal de Moçambique simboliza o compromisso de Moçambique com a protecção dos oceanos e o desenvolvimento sustentável. Esta distinção coloca o país numa posição de destaque nos esforços globais para reverter a degradação ambiental marinha.

Foto: Reuters/delfi.lt

Vídeo: ONU

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