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Kambaku

Nova câmara subaquática com IA quer revolucionar o estudo de anfíbios

Fev 10, 2026 |

Uma nova câmara subaquática movida a energia solar fotografa anfíbios em túneis e usa IA para identificar espécies com precisão.

O dispositivo, baptizado de NewtCam, funciona debaixo de água e recorre a sensores de movimento e processamento com inteligência artificial para registar e identificar espécies, reduzindo a necessidade de capturas e manuseamento.

A novidade surge como alternativa aos métodos tradicionais usados para acompanhar o tritão-de-crista (Triturus cristatus), espécie protegida. Em muitas campanhas de campo, a monitorização passa por deixar armadilhas durante a noite e contar os exemplares no dia seguinte, uma rotina trabalhosa e potencialmente stressante para os animais, segundo os investigadores do Luxembourg Institute of Science and Technology (LIST), que lideraram o desenvolvimento.

De acordo com The Wildlife Scociety, o sistema foi pensado para que os anfíbios atravessem um pequeno percurso controlado. Após várias versões e anos de ensaios, a equipa fixou-se num desenho com quatro entradas em funil que conduzem a um tubo central. Ao entrar, o animal activa o sensor, e a câmara regista imagens enquanto ele continua o seu caminho e sai pelo lado oposto.

Um detalhe é decisivo para a identificação: a parte inferior do tubo é transparente, permitindo fotografar o ventre. No tritão-de-crista, as manchas na barriga formam padrões característicos, úteis para distinguir indivíduos. As imagens seguem depois para análise com software de IA, que ajuda a separar espécies de tritões observadas em testes no Luxemburgo e no sul de França.

Os investigadores Xavier Mestdagh e Nicolas Titeux, ambos do , engenheiro biológico no Luxembourg Institute of Science and Technology, no Luxemburgo, relataram, num estudo publicado na revista Methods in Ecology and Evolution, que a NewtCam consegue obter observações já na fase larvar, quando os padrões ventrais começam a aparecer com contraste suficiente.

Um teste controlado, ainda não publicado, indica também que esses padrões nas larvas podem ser únicos e estáveis algumas semanas antes da metamorfose. Após essa transição, as marcas tornam-se progressivamente mais nítidas e tendem a manter-se ao longo da vida.

A ambição futura é usar essa “impressão digital” para mais do que presença/ausência: a equipa espera vir a estimar produção de descendência em locais de reprodução, explorando a identificação consistente dos indivíduos.

A equipa considera que a tecnologia pode ser adaptada para peixes, répteis e invertebrados, e há já validações iniciais em diversas geografias. O sistema não se limita a fotografias, pode também captar vídeo e revelar comportamentos raramente observados, desde disputas entre tritões até corte e predação.

Foto: The Wildlife Scociety

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