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Nova geração de mergulhadores científicos moçambicanos formada na Ponta do Ouro

Mar 19, 2024 |

Um total de nove estudantes acabam de se formar no curso de mergulho científico do Centro de Mergulho de Maputo incluindo cinco alunos da Universidade Pedagógica, três da Universidade Eduardo Mondlane e um aprendiz independente que formam assim uma nova geração de mergulhadores moçambicanos.

Esta última fase de formação realizou-se na Ponta do Ouro com a colecta e análise de dados subaquáticos, identificação de espécies indicadoras e monitoramento a nível elementar de recifes de coral. O curso foi administrado pela Dra. PhD Yara Tibiriçá.

Esta jornada, que marca o início de uma carreira promissora na conservação marinha, em Moçambique este foi mais do que apenas um curso de mergulho científico. De acordo com informação partilhada pelo Centro de Mergulho de Maputo com a KAMBAKU, estes novos cientistas marinhos “completaram uma jornada muito mais longa que começou anos atrás, quando aprenderam a nadar e mergulhar recreativamente antes de aprender técnicas de mergulho científico. É a realização de um sonho idealizado pela Associação Natura Moçambique, em colaboração com a Universidade Pedagógica e executado em grande parte pela nossa equipe no Centro de Mergulho de Maputo,” diz Luciano Adamo, cofundador e director do Centro de Mergulho de Maputo.

“É um passo à frente em nossa missão de desenvolver a próxima geração de conservacionistas marinhos, pesquisadores e gestores de áreas de conservação em Moçambique”, acrescenta.

Julian Spezzati, parceiro de Adamo, igualmente cofundador e director do Centro de Mergulho, explica que “com mais de 2.500 km de costa, Moçambique precisa de capacidade de pesquisa e monitoramento para Áreas Marinhas Protegidas. Natação, snorkeling e mergulho são habilidades fundamentais para a gestão e conservação dos recifes de coral, essenciais para assegurar o cumprimento da recentemente aprovada Estratégia Nacional para a Gestão e Conservação dos Recifes de Coral. Este primeiro grupo de graduados será crucial para ajudar a alcançar os objectivos estabelecidos na estratégia nacional, mas isso não pode ser um exercício único. É necessário um treinamento contínuo para construir uma força de trabalho adequada. Com isso em mente, e aprendendo com a experiência dos graduados, o Centro de Mergulho de Maputo conceituou o Programa de Mergulho Zero ao Herói para desenvolver a capacidade local para a pesquisa e monitoramento dos recifes de coral em Moçambique”.

Segundo este centro que opera no Clube Naval de Maputo, o Programa de Mergulho Zero ao Herói será um programa anual de 6 a 12 meses que leva participantes sem habilidades subaquáticas e ensina-lhes natação, snorkeling, e mergulho, incluindo métodos de mergulho científico. É a replicação da experiência que os graduados da semana passada tiveram, em um único curso estruturado. O objectivo é continuar a preencher a lacuna entre educação e emprego, complementando a teoria universitária com a introdução de conhecimentos e habilidades práticas para trabalhar confortavelmente e com segurança debaixo d’água. O objetivo é desenvolver e aprimorar a capacidade de pesquisa e conservação de recifes de coral dentro de Moçambique e preparar os estudantes para carreiras na conservação marinha.

De acordo com António Branco, director da Associação Natura Moçambique, “quando contactamos com o Centro de Mergulho de Maputo nós encontramos no Adamo e no Julian pessoas que perceberam e interpretaram correctamente aquilo que nós pretendíamos e com eles foi possível trabalhar e quero-vos dizer que aumentou muito a qualidade da formação dos nossos monitores”.

Para Jorge Ferrão, reitor da Universidade Pedagógica” “O nosso grande objectivo é fazer os estudos sobre os recifes de corais, queremos colher dados, queremos fazer o tratamento desses dados e queremos processar”.

Nesse sentido, o Centro de Mergulho de Maputo assinou um Memorando de Entendimento com a Universidade Pedagógica para continuar a treinar os seus alunos através do futuro Programa de Mergulho Zero ao Herói. Esta parceria visa replicar o sucesso dos cursos passados e continuar construindo uma comunidade resiliente de conservação marinha em Moçambique.

Os cursos de mergulho para alunos universitários foram financiados em grande parte pela Associação Natura Moçambique, com apoio da Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento, a Universidade Pedagógica e o Parque Nacional de Maputo.

Fotos e Vídeo: Centro de Mergulho de Maputo

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