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Kambaku

Nova técnica revoluciona monitorização de rinocerontes enquanto estão sedados

Dez 10, 2024 |

Um estudo pioneiro conduzido por investigadores da Universidade de Pretória, na África do Sul, revelou uma abordagem mais precisa e segura de realizar intervenções em rinocerontes enquanto estão sedados e que pode revolucionar estas intervenções.

A monitorização dos sinais vitais de rinocerontes-brancos anestesia representa um desafio significativo para veterinários, dada a espessura da pele destes animais, que pode atingir 2 cm. Até recentemente, a solução prática consistia em utilizar sondas de oximetria de pulso colocadas na pele fina das orelhas.

A técnica, publicada na revista científica Nature e na BMC Veterinary Research, consiste em introduzir uma sonda no pequeno espaço existente sob a terceira pálpebra do rinoceronte. Esta membrana, semi-transparente e em forma de crescente, move-se sobre os olhos para os proteger de poeiras e manter os olhos húmidos.

Esta investigação é a primeira a validar esta técnica em espécies selvagens. O estudo, resultado de seis anos de trabalho no Parque Nacional Kruger, na África do Sul, envolveu uma equipa liderada por Thembeka Mtetwa, do Departamento de Anatomia e Fisiologia da UP, e Leith Meyer, do Departamento de Estudos Paraclínicos e Centro de Investigação em Vida Selvagem da mesma instituição.

Mtetwa explica que o espaço sob a terceira pálpebra é suficientemente estável para manter a sonda no lugar sem necessidade de fixação adicional, desde que o animal não se mova excessivamente. Este método permite leituras contínuas e fiáveis de oxigénio no sangue, essenciais para prevenir danos em órgãos como o cérebro, coração, fígado e rins.

Embora a técnica pareça promissora para outras espécies, como o rinoceronte-negro, ainda mais ameaçado, e elefantes, cada aplicação deve ser validada individualmente. Os autores do estudo sugerem que a criação de sondas mais pequenas poderia estender a técnica a animais de menor porte e até animais domésticos.

Os investigadores terão novas oportunidades de aplicar e refinar esta técnica com a realocação de mais de 2.000 rinocerontes em reservas naturais por toda a África, uma iniciativa da ONG African Parks. Estes animais faziam parte de um programa de reprodução em cativeiro na província noroeste da África do Sul.

Fotos: helptherhino.nu e Nature

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