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Nova tecnologia em sistema de localização reforça programas de conservação de girafas

Jan 17, 2024 |

Uma nova tecnologia de colocação de localizadores está a aumentar a esperança da comunidade científica nos esforços de conservação de uma espécie tão carismática como a girafa.

É reconhecido pela comunidade científica e da conservação africanas que as girafas são animais notoriamente difíceis de rastrear. Contudo, um grupo de cientistas está a utilizar uma nova tecnologia que promete resolver um problema na colocação de dispositivos de detecção e que será um passo determinante para proteger esta espécie numa altura em que as suas populações declinam em todo o continente africano.

A Smithsonian Magazine fala mesmo de uma “extinção silenciosa” – assim chamada porque a girafa recebe menos atenção em comparação com a situação de outras espécies como os elefantes ou os rinocerontes.

Nas últimas décadas, a expansão rápida da agricultura e das comunidades humanas em todo o continente tem destruído ou fragmentado extensas áreas da savana, resultando numa queda de 40% nas quatro espécies de girafas desde 1985. As girafas Núbias, uma subespécie criticamente ameaçada do Sudão do Sul, Etiópia, Uganda e Quénia, perderam aproximadamente 95% de sua população, restando talvez 3.000 animais.

Perante esta situação crítica, a Giraffe Conservation Foundation (GCF) e a African Parks (AP) criaram um grupo de conservação para gerir os Parques Nacionais de Badingilo e Boma – ambos redutos das girafas Núbias – com o objectivo de rastrear, estudar e proteger estes animais.

No entanto, rastrear girafas apresenta um desafio de design muito difícil. As coleiras de GPS geralmente são colocadas no pescoço dos animais, mas os pescoços das girafas, que têm seis metros de comprimento, são finos em cima e grossos em baixo, não sendo adequados para coleiras. Os dispositivos escorregam quando o animal abaixa a cabeça, causando desconforto ou arriscando a perda da coleira.

Nos últimos dois anos, no entanto, avanços tecnológicos reduziram os rastreadores a um tamanho suficientemente pequeno para serem amarrados na ponta da cauda ou na orelha. As novas etiquetas são alimentadas por energia solar, menos intrusivas e, com sorte, devem durar um ano ou mais.

Como conta a mesma organização, membros da African Parks sobrevoaram Badingilo e Boma de helicóptero e prenderam rastreadores a girafas Núbias. Os dados colectados ajudarão a identificar habitats-chave e rotas preferidas dentro dos 7,4 milhões de acres combinados de áreas húmidas e savana dos parques, potencialmente impulsionando a sua expansão e indicando onde patrulhas extras para limitar a caça ilegal ou educação comunitária para incentivar o envolvimento local na conservação podem salvar vidas de girafas.

Foto: Smithsonian

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