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Kambaku

Nove em cada dez raias detectadas em Moçambique estão fora de áreas protegidas

Set 22, 2026 |

Um novo estudo concluiu que uma esmagadora maioria de raias manta em águas moçambicanas foram registadas fora de áreas marinhas protegidas.

A nova investigação descreve que 90 por centro dos indivíduos identificados em Moçambique estava em locais não abrangidos por protecção ambiental e que 95 por cento dos indivíduos identificados em águas sul-africanas foram detectados dentro de áreas protegidas, um valor que inverte por completo o cenário moçambicano, de acordo com a Marine Megafauna Foundation.

O trabalho científico liderado pela investigadora Nakia Cullain mostra, assim, e de forma comparada, que os mesmos animais que passam a maior parte do tempo desprotegidos em Moçambique encontram protecção efectiva assim que atravessam a fronteira para sul.

Os novos resultados assentam em seguimento acústico, fazem parte da tese defendida pela autora na Universidade de Dalhousie e disponível no repositório da instituição, que descreve a marcação de 48 raias manta com emissores acústicos, seguidas por uma rede de mais de 300 receptores ao longo da costa do sudeste africano, tendo 30 por cento dos animais marcados atravessado a fronteira entre os dois países.

A investigação registou ainda elevada residência no Parque de Zonas Húmidas de iSimangaliso, onde a fiscalização é considerada eficaz e onde a espécie parece encontrar refúgio. Como as raias manta cruzam repetidamente a fronteira, os autores defendem que a conservação destes animais só resulta com coordenação entre os dois países.

Um estudo publicado em 2025 na revista Environmental Biology of Fishes, também com Nakia Cullain como primeira autora, apurou uma queda de 82,4 por cento nos avistamentos em Závora entre 2009 e 2023 e refere reduções que chegam a 99 por cento na Praia do Tofo ao longo de duas décadas, ambas na província de Inhambane, onde o mergulho com raias manta sustenta boa parte da economia turística local.

A ligação entre a costa de Inhambane e o litoral sul-africano está documentada desde 2023, quando um estudo publicado no Journal of Fish Biology confirmou os primeiros movimentos transfronteiriços conhecidos da espécie, com um animal a percorrer 505 quilómetros entre a Praia do Tofo e Sodwana Bay e outro a fazer a viagem de ida e volta entre Závora e Sodwana Bay, cerca de 870 quilómetros.

Em 2025, a UNESCO alargou o bem classificado como Património Mundial de iSimangaliso para incluir o Parque Nacional de Maputo, passando Moçambique a ser Estado Parte de uma propriedade transfronteiriça de 397.403 hectares que abrange recifes de coral, pradarias marinhas e dunas costeiras nos dois lados da fronteira.

Foto: wanderlustmagazine.com

Imagem: Marine Megafauna Foundation

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