Fev 18, 2025 |
Numa acção coordenada pela INTERPOL e pela Organização Mundial das Alfândegas (OMA), quase 20.000 animais vivos, pertencentes a espécies protegidas, foram resgatados em 138 países. Em Moçambique, destacaram-se apreensões de pangolins e produtos marinhos ilegais.
A INTERPOL revelou os resultados da maior operação alguma vez realizada contra o tráfico de fauna e flora selvagens. Entre 11 de Novembro e 6 de Dezembro de 2024, a Operação Thunder reuniu forças policiais, autoridades alfandegárias e organismos de fiscalização ambiental de 138 países para desmantelar redes criminosas transnacionais envolvidas no comércio ilegal de espécies protegidas.
O balanço da operação é impressionante: 365 suspeitos detidos e 2.213 apreensões em vários continentes. Foram identificadas seis redes criminosas de grande escala, revelando padrões de tráfico sofisticados e um número significativo de empresas envolvidas nestas práticas ilegais.
O continente africano foi um dos principais focos da operação, e Moçambique também foi visado. Durante a acção global, foram resgatados 12 pangolins vivos no território moçambicano, um dos animais mais traficados do mundo devido à procura das suas escamas no mercado asiático.
Além disso, as autoridades moçambicanas interceptaram produtos marinhos ilegais, incluindo pepinos-do-mar e barbatanas de tubarão, confirmando a crescente pressão sobre os recursos marítimos da região. Esta apreensão soma-se a outra ocorrida no Catar, onde oito cornos de rinoceronte foram descobertos na bagagem de um passageiro em trânsito entre Moçambique e a Tailândia.
Para além das acções em Moçambique, a Operação Thunder resultou na apreensão de: 41 toneladas de madeira exótica no Quénia com destino à Ásia; 4,5 toneladas de escamas de pangolim na Nigéria; 6.500 aves canoras na Turquia, ocultadas num veículo junto à fronteira com a Síria; 1.731 répteis vivos na Austrália, incluindo lagartos-de-língua-azul; Oito crias de tigre na República Checa, provenientes de uma criação ilegal, entre outros.
As apreensões também envolveram grandes quantidades de madeira, marfim, peças de felinos de grande porte, plantas raras e produtos derivados da vida selvagem, evidenciando a diversidade da exploração ilegal dos recursos naturais.
Os especialistas em crime ambiental sublinham que a luta contra o tráfico de espécies protegidas exige uma resposta global coordenada. Durante a Operação Thunder, foram analisadas actividades suspeitas na Internet, identificando criminosos que utilizam perfis falsos e redes sociais para expandir o alcance do tráfico.
As espécies apreendidas foram encaminhadas para centros de conservação, onde receberam os cuidados necessários e, sempre que possível, foram reintroduzidas no seu habitat natural. A recolha de amostras de DNA desempenhou um papel essencial na investigação, permitindo determinar a origem dos animais e identificar novas rotas de tráfico.
A Operação Thunder 2024 foi realizada sob o apoio do Secretariado da CITES e do Consórcio Internacional de Combate ao Crime contra a Vida Selvagem (ICCWC), contando com financiamento da União Europeia, do Reino Unido e dos Estados Unidos.

Pangolim apreeendido com vida proveniente de Moçambique.
Fotos: INTERPOL/ornella.club




