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Kambaku

Pagolim em destaque na lista global de espécies a proteger em 2026

Jan 27, 2026 |

O pangolim de Temminck, presente em Moçambique, integra a lista ‘Species to Watch’ em 2026 da Fauna & Flora, que alerta para casos críticos de conservação.

Moçambique surge em evidência na lista divulgada pela organização internacional Fauna & Flora, graças ao destaque dado ao pangolim de Temminck, uma das espécies mais ameaçadas do continente africano e um símbolo do combate global ao tráfico ilegal de vida selvagem.

Conhecido também como pangolim-do-Cabo, este é o único pangolim africano adaptado a zonas relativamente áridas do leste e do sul de África, com uma distribuição que se estende até ao Chade e ao Sudão. Animal terrestre, de hábitos discretos e movimentos lentos, distingue-se por caminhar frequentemente sobre as patas traseiras, utilizando a cauda larga e curta como contrapeso, um comportamento raro entre mamíferos.

Apesar da sua natureza pacífica, o pangolim de Temminck enfrenta uma ameaça extrema. Tal como todas as espécies de pangolins, é alvo de tráfico ilegal devido à procura da sua carne e, sobretudo, das escamas, usadas em mercados asiáticos de medicina tradicional. Esta pressão transformou os pangolins nos mamíferos mais traficados do mundo.

Em resposta a esta realidade, Moçambique tem vindo a reforçar a sua capacidade de conservação. A Fauna & Flora apoia a criação e desenvolvimento de uma clínica de crise dedicada ao resgate, tratamento e reabilitação de pangolins vítimas de captura ilegal. Actualmente, o país dispõe de dois centros especializados.

No Parque Nacional da Gorongosa funciona, desde 2018, o primeiro programa de resgate e reabilitação de pangolins em Moçambique, criado em resposta ao aumento do tráfico ilegal deste que é considerado o mamífero mais traficado do mundo. Todos os anos, fiscais do parque resgatam vários pangolins ainda vivos nas mãos de caçadores furtivos e traficantes que operam no centro do país e nas zonas fronteiriças com o Zimbabué, Zâmbia e Malawi. Desde o início do programa, passaram pelo centro cerca de 150 pangolins, dos quais mais de uma centena já foi libertada com sucesso.

O outro localiza-se no Parque Nacional de Chimanimani, que acolhe um centro pioneiro especificamente vocacionado para o resgate e reabilitação de pangolins, reforçando a resposta nacional ao tráfico de fauna bravia. Libertações recentes de pangolins recuperados, como as realizadas em Chimanimani, ilustram o impacto directo destes projectos e a importância de uma actuação rápida e coordenada para garantir a sobrevivência da espécie.

Para além do caso moçambicano, a lista Species to Watch in 2026 inclui espécies ameaçadas em várias regiões do mundo, sublinhando a dimensão global da crise da biodiversidade. Entre elas estão a enguia-europeia, em forte declínio devido à sobrepesca e à fragmentação dos rios, a raia-guitarra blackchin no Mediterrâneo, pressionada pela pesca intensiva, e o gibão cao vit, um dos primatas mais raros do planeta, limitado a uma pequena área entre o Vietname e a China.

A selecção procura chamar a atenção para espécies que enfrentam riscos elevados, mas para as quais ainda existem oportunidades reais de recuperação.

Foto: Jen Guyton/biographic.com

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