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Kambaku

Parque Nacional de Maputo consagrado Património Mundial pela UNESCO

Jul 15, 2025 |

O Parque Nacional de Maputo foi oficialmente inscrito como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO, numa decisão anunciada esta semana em Paris, no decurso da 47.ª sessão do comité do organismo internacional.

Esta distinção representa um marco histórico para Moçambique, que passa assim a contar com o seu primeiro sítio natural reconhecido à escala mundial. A classificação reforça o estatuto do parque como bastião da biodiversidade africana, valorizando simultaneamente os esforços de conservação e desenvolvimento sustentável empreendidos ao longo da última década, de acordo com o Parque Nacional de Maputo.

Gustavo Dgedge, Secretário de Estado da Terra e Ambiente, não escondeu o orgulho afirmando que “este é um momento histórico e de orgulho para Moçambique”. “Ser reconhecido pela UNESCO é um poderoso endosso ao trabalho que está a ser realizado aqui. Honra a dedicação do nosso governo, comunidades e parceiros na restauração desta paisagem única”, disse.

Pejul Calenga, Director-Geral da Administração Nacional das Áreas de Conservação, destacou o significado ambiental da distinção: “proteger estes espaços selvagens é essencial para sustentar a biodiversidade de África face às alterações ambientais globais”. “Sendo apenas o segundo Património Mundial do nosso país, e o nosso primeiro Património Natural, esta designação demonstra o nosso compromisso com a proteção”, acrescentou.

Werner Myburgh, director executivo da Peace Parks Foundation, sublinhou a transformação vivida no terreno: “este momento representa um marco importante não só para Moçambique, mas para toda a região”. “Elogiamos o compromisso inabalável do Governo de Moçambique com a conservação e o desenvolvimento comunitário. Temos imenso orgulho de termos trilhado esta jornada com eles como parceiros de cogestão. O que antes era uma área protegida apenas no papel, é agora uma paisagem produtiva e próspera de importância global. Esta conquista não teria sido possível sem a generosidade e a visão dos muitos doadores e amigos que nos ajudaram a revitalizar, proteger e reimaginar este ecossistema vital para as gerações futuras”.

Situado no extremo sul de Moçambique, o Parque Nacional de Maputo abrange cerca de 1.800 quilómetros quadrados de ecossistemas diversos e de grande beleza natural. Inclui desde recifes de coral e pradarias marinhas a extensas zonas húmidas, lagoas de água doce, dunas costeiras, savanas, pântanos e florestas de mangal.

A zona é especialmente relevante para a conservação de espécies ameaçadas, como as tartarugas-de-couro e as tartarugas-comuns, que aí encontram os locais de nidificação mais meridionais da sua rota. É também o lar da maior população conhecida de peixe-rei gigante e um ponto de escala vital para aves migratórias que percorrem o corredor da África Oriental.

O parque, oficialmente proclamado em 2021, nasceu da fusão entre a antiga Reserva Especial de Maputo e a Reserva Marinha Parcial da Ponta do Ouro. A sua missão inicial consistia na salvaguarda dos elefantes costeiros, outrora ameaçados pela degradação e exploração desordenada do território. Desde então, beneficiou de um ambicioso processo de reabilitação ambiental e desenvolvimento infraestrutural, levado a cabo em parceria com a Peace Parks Foundation.

Essa colaboração permitiu, entre outros resultados, a reintrodução de mais de 5.000 animais selvagens, o reforço da fiscalização e a criação de condições propícias ao ecoturismo. Actualmente, o parque oferece aos visitantes três unidades turísticas com opções que vão desde o campismo tradicional a experiências de luxo.

As comunidades vizinhas têm colhido frutos concretos deste renascimento ecológico. Beneficiam de uma política de partilha de receitas (20%), programas de sustento sustentável e acesso regulado a recursos naturais. Entre as iniciativas apoiadas contam-se projectos de pesca artesanal, agricultura regenerativa, aquacultura, ecoturismo e acções remuneradas de restauro ambiental, como a reabilitação de mangais.

Com este reconhecimento da UNESCO, o Parque Nacional de Maputo junta-se ao restrito grupo de locais que representam o património comum da humanidade.

Foto: White Pearl

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