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Kambaku

Petição tenta travar declínio de mantas e garantir protecção máxima em locais como Závora

Nov 25, 2025 |

Ao longo de mais de 20 anos, investigadores têm registado um declínio drástico nas observações de mantas em Moçambique, revelando uma ameaça crítica à espécie e agora querem protecção da CITES.

Os dados recolhidos ao longo da costa moçambicana mostram um cenário que preocupa a comunidade científica. Em certas zonas, o número de avistamentos de mantas caiu mesmo até 99%.

Face a este panorama, organizações internacionais procuram elevar o nível de protecção das mantas. A PADI AWARE anunciou a sua presença na CITES 2025, onde pretende dar voz à comunidade de mergulhadores e pressionar pela classificação mais rigorosa possível para a espécie, de acordo com a Marine Megafauna Foundation.

A entidade está actualmente a recolher assinaturas para uma petição pública que defende medidas mais fortes a favor de tubarões e raias — incluindo o tubarão-baleia, o tubarão galha-branca oceânico e as próprias jamantas, com a meta de alcançar 20 mil subscrições.

No portal da PADI, o apelo é claro: transformar a admiração por estes animais em acção concreta. À medida que os números continuam a cair, cada assinatura e cada gesto de apoio tornam-se essenciais para impedir que as jamantas desapareçam das águas onde durante séculos fizeram parte do equilíbrio marinho. A região de Závora, uma das últimas onde ainda se reúnem grupos significativos destes animais, apresenta igualmente um retrato sombrio, com uma redução de 82% nas observações ao longo de 15 anos de monitorização contínua realizado pela Marine Megafauna Foundation.

Para Nakia Cullain, investigadora científica da Marine Megafauna Foundation (MMF), o risco é real: “o meu maior medo é que, daqui a cinco anos, daqui a dez anos, será que as mantas ainda estarão aqui? E isso é assustador”.

A investigadora dedica-se a identificar os percursos e áreas críticas utilizadas pela espécie, com o objectivo de orientar medidas de conservação que respondam à urgência da situação. “Sou uma ecologista marinha e vivo em Závora, Moçambique. Trabalho para a MMF como cientista investigadora. Essencialmente, estou a observar para onde vão as mantas, onde gostam de passar a maior parte do tempo e se esses habitats críticos podem ser áreas prioritárias potenciais a proteger. Ao longo da costa, temos mais de duas décadas de dados”, explica Nakia Cullain.

E acrescenta: “Aqui em Závora, cerca de 15 anos, o que é um conjunto de dados bastante robusto e nos ajudou a ver realmente como está a população. Infelizmente, a tendência geral é de um declínio severo. Então, começou com Tofo”. “Os dados da primeira década [mostram um] declínio de 88% nas mantas dos recifes. Depois, eles reavaliaram a segunda década e, ao longo de 20 anos, houve um declínio de 99% nos avistamentos. Então, decidi fazer algo semelhante aqui em Závora e, infelizmente, aqui em Závora, também houve um declínio de 82% nos avistamentos”, diz.

Foto: Marine Megafauna Foundation

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