Kambaku

Icon podcast

Ponta do Ouro: Investigadores tocam no “botão snooze” de tubarões para colocar transmissores

Out 31, 2023 |

Ainda não existe uma explicação científica para justificar a razão pela qual os tubarões adormecem quando são colocados de barriga para cima. É uma espécie de “botão snooze” que tem sido aproveitado por investigadores de todo o mundo para, de forma segura para tubarões e equipas, colocar transmissores e assim melhor estudar os seus comportamentos.

É isso mesmo que está a ser posto em prática pela equipa da Save Our Seas Foundation, liderada pelo biólogo marinho, Ryan Daly, cuja estação de observação fica situada nas águas ricas em biodiversidade da Reserva Marinha Parcial de Ponta do Ouro, onde ocorrências anuais de desova de algumas das presas mais comuns dos tubarões-touro ocorrem, incluindo a maior reunião de xaréus gigantes do mundo, um peixe que pode pesar até 80 quilos.

Ryan Daly e a sua equipa capturam os famosos e agressivos tubarões-touro na costa sul de Moçambique e equipam-nos com transmissores como parte de um projecto de rastreamento de longa distância para revelar mais sobre os hábitos desses animais, segundo a Atlas Obscura.

O estudo está a ser realizado através da Plataforma de Rastreamento Acústico (ATAP) que está a rastrear os movimentos dos tubarões através de dezenas de receptores fixados no leito do oceano. Esses receptores estendem-se por mais de 2.000 quilómetros da costa sul-africana, até ao sul de Moçambique.

Para estes pesquisadores a marcação destes predadores de topo começa por colocá-los em estado de imobilidade tónica, como se estivessem em transe. “Assim que se consegue virar um tubarão de cabeça para baixo, praticamente adormece”, diz Daly. “É realmente incrível.”

Ainda não está claro por que os tubarões são propensos a esse estado, mas pode ter evoluído em torno do comportamento de acasalamento. A imobilidade tónica é uma “coisa estranha e maravilhosa”, diz Toby Rogers, candidato a doutorado e gerente de pesquisa da ONG de conservação Shark Spotters.

Parte da pesquisa actual de Ryan Daly explora os padrões de migração dos animais. Anteriormente, grande parte do que se sabia sobre os tubarões-touro baseava-se nos indivíduos mortos pelas redes de protecção a nadadores ao longo da costa leste da África do Sul, e os pesquisadores acreditavam que os animais permaneciam em pequenos territórios. Dados dos transmissores implantados contam uma história diferente.

Alguns dos 55 tubarões-touro actualmente a ser monitorados pela equipa da Ponto do Ouro fazem viagens sazonais de ida e volta de 6.000 quilómetros, do Rio Breede, na costa sul do país, até o norte de Moçambique.

Fotos: Atlas Obscura

NEWSLETTER DO MUNDO NATURAL

Subscreva a nossa newsletter e receba notícias do mundo natural.