Skip to main content

Kambaku

População de Leões no Norte do Kruger caiu 63% nos últimos 18 anos

Abr 8, 2025 |

O norte do Parque Nacional Kruger teve uma preocupante diminuição na sua população de leões. Um novo levantamento conduzido pela Endangered Wildlife Trust (EWT), em colaboração com a SANParks, revela uma queda de 63% nos últimos 18 anos.

A investigação teve lugar na região de Nxanatseni Norte, semiárida e menos visitada do parque, abrangendo áreas como Pafuri, Punda Maria, Shangoni, Woodlands e Shingwedzi – um território de mais de 5.100 quilómetros quadrados.

Os resultados são preocupantes: actualmente estima-se que existam cerca de 105 leões, o número mais baixo registado na última década, nesta região do Kruger, uma parte vital da Área de Conservação Transfronteiriça do Grande Limpopo, nesta região e que faz fronteira com o Parque Nacional do Limpopo, em Moçambique.

De acordo com a African Geographic, a título de comparação, em 2005, uma técnica de chamada de leões estimava uma população de 283 indivíduos. Esse número caiu para 75 em 2008, subiu para 119 em 2015 e ficou nos 122 em 2023. Apesar da ligeira recuperação, os dados actuais sugerem uma estagnação populacional e possíveis tendências de declínio.

De acordo com o estudo, a densidade de leões é particularmente baixa nas zonas de Pafuri e Punda Maria, onde níveis elevados de armadilhas para carne de caça colocam os grandes felinos em risco como captura acidental. Casos de envenenamento para extracção de partes do corpo também têm sido registados.

Outro factor-chave é a disponibilidade de água. Apesar dos leões não dependerem de fontes fixas para beber diariamente, as suas presas principais dependem – e a redução de charcos artificiais no Kruger pode estar a influenciar a distribuição e número destes predadores no norte do parque.

Isaac Phaahla, responsável pela comunicação dos Parques Nacionais sul-africanos, salientou ainda a elevada população de hienas na região como um possível factor negligenciado. A movimentação livre dos leões entre fronteiras humanas, incluindo Moçambique e Zimbabué, pode também influenciar a contagem.

Com avanços tecnológicos, os métodos de monitorização evoluíram. O estudo da EWT recorreu a armadilhas fotográficas e identificação de leões através dos seus padrões únicos de bigodes – comparáveis às impressões digitais humanas. Este sistema permite reconhecer indivíduos e evitar contagens duplicadas. Foram percorridos mais de 10.000 km de estradas e colocadas câmaras durante 2.684 noites de armadilhagem para reunir os dados necessários.

Como Moçambique partilha a responsabilidade pela gestão desta área transfronteiriça, os resultados do estudo apelam a uma colaboração ainda mais estreita entre países para garantir que os rugidos dos leões não desapareçam do norte selvagem do Kruger.

Foto: gebeco.de

NEWSLETTER DO MUNDO NATURAL

Subscreva a nossa newsletter e receba notícias do mundo natural.