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Kambaku

População de mantas-de-recife sofre queda acentuada em Moçambique

Out 7, 2025 |

Num estudo pioneiro de 15 anos na Praia de Závora, no Distrito de Inharrime, investigadores registaram uma redução de 82,4 % nas observações de mantas-de-recife entre 2009 e 2023.

Os dados recolhidos revelam uma diminuição drástica nas aparições das mantas (especificamente Mobula alfredi) ao longo de mais de uma década. A investigação, liderada por Nakia Cullain, Yara Tibiriçá, Stephanie K. Venables, Christoph A. Rohner, Derek P. Tittensor e Heike K. Lotze, foi publicada na Springer Nature.

Segundo a Marine Megafauna Foundation (MMF) , enquanto no passado estas criaturas marinhas eram vistas ao longo de todo o ano, agora aparecem apenas em agregações sazonais.

Outro facto revelador deste trabalho é a mudança na preferência dos locais de “limpeza” — zonas onde as mantas se aproximam para que peixes de limpeza removam parasitas. Os pesquisadores detectaram que, originalmente, eram usados dois locais, mas nas últimas observações o uso diminuiu para apenas um.

Os modelos estatísticos aplicados (modelos aditivos generalizados) indicaram que variáveis temporais — como estação do ano, dia do ano e fase lunar — são agora os principais determinantes da presença de mantas em Závora, ultrapassando outros fatores ambientais como temperatura, salinidade ou concentração de clorofila-a.

A situação em Závora insere-se num quadro mais amplo de preocupação para esta espécie ao longo da costa moçambicana. Na Praia do Tofo, por exemplo, estima-se uma queda de até 99 % nas avistagens ao longo das últimas duas décadas.

Apesar dos dados preocupantes, os autores salientam que as agregações sazonais que persistem em Závora — provavelmente relacionadas com a reprodução — constituem uma janela de esperança.

Foto: cdn.sanity.io

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