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Kambaku

Populações de vida selvagem sofrem queda dramática de 73% em 50 Anos a nível global

Out 15, 2024 |

Foi lançado ontem mais recente Índice Planeta Vivo (IPV), revelando uma queda alarmante de 73% no tamanho médio das populações monitorizadas de vida selvagem no mundo, entre 1970 e 2020. Os números fazem parte da 15ª edição do Relatório Planeta Vivo, publicação bianual de referência da WWF, divulgada num evento da ONG organizado na Cidade do Cabo, na África do Sul.

O relatório da WWF, que destaca como a perda da natureza está a empurrar o planeta para pontos de inflexão potencialmente irreversíveis, sublinha que os ecossistemas de água doce foram os mais afetados, com uma redução de 85% nas suas populações de fauna selvagem, seguidos pelos ecossistemas terrestres (69%) e marinhos (56%).

Em África, o declínio médio nas populações monitorizadas atinge os 76%, sendo a destruição e degradação de habitats, impulsionadas sobretudo pelos sistemas alimentares globais, a principal ameaça às espécies.

Além disso, a sobre-exploração, espécies invasoras e doenças constituem outras ameaças significativas, com as alterações climáticas a representarem um risco adicional para algumas regiões.

A reversão destas tendências catastróficas exige, segundo a WWF, acções de conservação de larga escala, eficazes e inclusivas, com foco na transformação dos sistemas de energia, alimentação e finanças, indica o relatório. A nível global, 195 países, incluindo Moçambique, comprometeram-se em 2022 a reverter a perda da biodiversidade até 2030, no âmbito do Quadro Global para a Biodiversidade.

Um exemplo é a Visão 2040 da SANParks, na África do Sul, que propõe uma abordagem inovadora de conservação através das chamadas “Mega Paisagens Vivas”, grandes áreas interconectadas que englobam terras protegidas, privadas e comunitárias, com usos compatíveis.

Contudo, a África do Sul ainda enfrenta um défice significativo de financiamento para a conservação. É necessário desenvolver mecanismos de financiamento ambiciosos, como os promovidos pela Parceria Enduring Earth, que visa atrair financiamento do setor privado através de modelos inovadores de financiamento misto, como o Fundo Holandês para o Clima e Desenvolvimento.

Para travar a perda de biodiversidade e garantir um futuro sustentável para o planeta, a WWF apela a uma colaboração concertada entre governos, empresas e sociedade civil. As cimeiras globais sobre biodiversidade e clima que se realizarão este ano – a COP16 e a COP29 – representam uma oportunidade crucial para países como a África do Sul mostrarem liderança na preservação da biodiversidade.

Foto: i.pinimg.com

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