Fev 11, 2025 |
Um estudo recente revelou que as populações de babuínos e macacos-de-cara-preta no Parque Nacional da Gorongosa conseguiram adaptar-se rapidamente aos impactos do Ciclone Idai, que assolou Moçambique em março de 2019. Estudo foi agora publicado na revista científica American Journal of Biological Anthropology.
Apesar da devastação causada pela tempestade, os primatas demonstraram uma impressionante resiliência, ajustando os seus movimentos para evitar áreas inundadas e retornando aos seus padrões habituais após o recuo das águas.
A investigação, conduzida por uma equipa internacional de cientistas, recorreu a dados recolhidos por câmaras remotas para monitorizar a presença e distribuição dos primatas antes e depois da passagem do ciclone. Para compreender melhor o impacto do fenómeno, os investigadores compararam as alterações observadas com registos de anos anteriores, explica o Parque Nacional da Gorongosa.
Nos primeiros trinta dias após o ciclone, verificou-se uma mudança na localização dos babuínos, que se deslocaram para áreas menos afetadas pelas inundações. No entanto, com o recuo das águas, os seus movimentos regressaram rapidamente aos padrões habituais. A investigação revelou ainda que, apesar da severidade do evento meteorológico, o número total de babuínos e macacos-de-cara-preta manteve-se estável, sugerindo que estas espécies demonstraram uma notável capacidade de adaptação.
Este estudo contribui para um melhor entendimento sobre como os primatas ajustam o seu comportamento face a perturbações ambientais significativas. Com o agravamento das mudanças climáticas, compreender estes mecanismos torna-se essencial para a preservação das espécies e para a investigação da evolução dos primatas e do ser humano.
A investigação, publicada no American Journal of Biological Anthropology, foi liderada por Megan Beardmore-Herd, Meredith Palmer, PhD, do Gaynor Laboratory da Universidade da Colúmbia Britânica, e pela Professora Doutora Susana Carvalho. O trabalho contou com o apoio do Parque Nacional da Gorongosa, do Projecto Paleo-Primata da Gorongosa, da Escola de Antropologia e Etnografia dos Museus de Oxford e com financiamento do Conselho de Investigação em Artes e Humanidades e do Centro Interdisciplinar de Arqueologia e Evolução Humana.
Foto: Parque Nacional da Gorongosa




