Fev 9, 2026 |
A investigadora Rassina Farassi moçambicana estuda babuínos e fósseis no Parque Nacional da Gorongosa para esclarecer a origem do bipedismo humano.
No coração do Parque Nacional da Gorongosa decorre um projecto científico que cruza o estudo de fósseis com a observação de primatas vivos para compreender etapas decisivas da evolução humana.
A investigação é desenvolvida pelo Paleo-Primate Project, uma iniciativa internacional que tem vindo a revelar o potencial científico de uma região pouco explorada até há menos de uma década.
De acordo com a revista Nature, entre as investigadoras destaca-se Rassina Farassi, primatóloga moçambicana que acompanha diariamente grupos de babuínos-chacma de pés cinzentos. A observação destes primatas, que alternam entre deslocação quadrúpede e posturas mais erectas, fornece pistas relevantes sobre as pressões ambientais e anatómicas que poderão ter influenciado a adopção do bipedismo nos primeiros hominídeos.
O trabalho em Gorongosa combina métodos clássicos da paleontologia com a primatologia de campo. Desde 2016, várias áreas do parque começaram a ser escavadas de forma sistemática, revelando fósseis de mamíferos extintos que ajudam a reconstruir antigos ecossistemas. Alguns desses achados indicam que a região integrou, em tempos, florestas costeiras do Leste africano, funcionando possivelmente como refúgio para espécies que desapareceram noutras zonas do continente.
No laboratório de paleontologia do parque são catalogados e estudados os materiais recolhidos nas escavações. Entre eles encontram-se restos de grandes herbívoros pré-históricos, cuja presença ajuda a traçar o quadro ambiental em que viveram os antepassados humanos. A ligação entre esses dados fósseis e o comportamento dos primatas actuais permite formular hipóteses mais sólidas sobre a evolução da mobilidade, da dieta e da adaptação ao meio.
O percurso académico de Rassina Farassi começou em Maputo, na Universidade Eduardo Mondlane, e ganhou novo rumo com a participação no projecto ainda durante a licenciatura. Hoje, Gorongosa é simultaneamente local de trabalho e de descoberta científica, num esforço que valoriza investigadores locais e contribui para afirmar Moçambique na investigação internacional sobre a evolução humana.
Foto: Kang-Chun Chang para a Nature




