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Kambaku

Primeiro registo de tentativa de nidificação de tartaruga verde em Pemba destaca urgência de conservação

Abr 8, 2025 |

A cidade costeira de Pemba, na província de Cabo Delgado, foi palco de um acontecimento inédito: o primeiro registo de tentativa de nidificação da tartaruga-verde (chelonia mydas) na região. Um estudo, que reflecte sobre este acontecimento, vem agora alertar para a necessidade de alargar medidas de conservação a novos locais.

De acordo com um novo estudo, conduzido por Gélica Inteca, da Universidade Lúrio, Faculdade de Ciências Naturais, por Isabel Silva e por Harith Farooq, publicado no Journal of the Marine Biological Association of the United Kingdom e na Cambridge University Press, este evento marca um avanço significativo no conhecimento sobre os locais de reprodução desta espécie ameaçada em Moçambique, alargando a sua distribuição conhecida 40 quilómetros a sul do Arquipélago das Quirimbas.

A observação original ocorreu em Julho de 2021, quando um operador turístico local testemunhou pescadores a abater uma tartaruga na Praia de Maringanha e a vender a sua carne em cestos. O incidente sugere que o animal foi capturado antes de conseguir desovar, não tendo sido encontrados ovos no local.

Este episódio ressalta, de acordo com o novo estudo as ameaças enfrentadas pelas tartarugas-marinhas em Moçambique, incluindo a caça e o consumo humano, e sublinha a necessidade de medidas urgentes de conservação, de acordo com a equipa de investigação.

As tartarugas-marinhas na região desempenham um papel crucial nos ecossistemas marinhos, regulando as populações de medusas e mantendo a saúde das pradarias marinhas. Para além disso, são um importante recurso para o ecoturismo, contribuindo para a economia das comunidades costeiras.

Segundo o mais recente Relatório da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, 2023), todas as cinco espécies de tartarugas-marinhas presentes na costa africana estão ameaçadas, incluindo a tartaruga-verde, classificada como “Em Perigo” devido à perda de habitats, pesca acidental e exploração ilegal.

Até agora, as principais áreas de nidificação em Moçambique estavam concentradas nas Quirimbas, no arquipélago das Primeiras e Segundas e no Parque Nacional de Bazaruto, todos territórios protegidos. O registo em Pemba, uma cidade com mais de 200 mil habitantes, levanta questões sobre o potencial da região para acolher mais eventos de nidificação.

Fatores como a pouca iluminação artificial na Praia de Maringanha e a presença de um areal extenso sugerem que esta área pode continuar a ser um refúgio para as tartarugas-verdes. Contudo, a crescente pressão humana, através da pesca e do turismo desordenado, coloca desafios para a protecção destas espécies.

O caso de Pemba ilustra a necessidade urgente de uma colaboração mais estreita entre comunidades locais, governo e investigadores para garantir a protecção das tartarugas-marinhas. O papel de operadores turísticos na monitorização ambiental também se revelou fundamental, dado que foi um membro deste sector quem denunciou o abate da tartaruga.

A criação de programas de sensibilização e de fiscalização ambiental, bem como a aplicação rigorosa das leis de protecção da vida selvagem, são medidas essenciais para evitar que eventos como este voltem a ocorrer.

O registo desta tentativa de nidificação em Pemba abre novas perspetivas para a conservação das tartarugas-marinhas em Moçambique e reforça a necessidade de um compromisso coletivo para proteger estes animais emblemáticos das ameaças que enfrentam.

Foto: Britannica.com

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