Ago 5, 2025 |
Mais de 500 mil famílias serão abrangidas por uma iniciativa que alia conservação ambiental a geração de rendimentos sustentáveis, na zona tampão do Parque Nacional de Mágoè, em Tete.
O projecto de empoderamento económico está assim prestes a transformar a vida de meio milhão de famílias que vivem nas imediações do Parque Nacional de Magoe. Através da apicultura, estas comunidades irão produzir até 100 toneladas de mel por ano, enquanto protegem as suas culturas dos elefantes que frequentemente devastam as machambas locais.
A iniciativa, lançada esta segunda-feira, resulta de uma parceria entre a Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), a Agência do Zambeze e o Governo moçambicano. Com um orçamento estimado em cerca de 20 milhões de meticais – aproximadamente 265 mil euros – o projecto prevê a instalação de quatro mil colmeias, formação técnica das comunidades e criação de uma unidade de processamento de mel na região.
Mais do que apenas uma aposta na produção apícola, o programa procura promover meios de subsistência alternativos, aliviando a pressão sobre os recursos naturais e protegendo a biodiversidade local. A zona em questão situa-se nos distritos de Magoe e Cahora-Bassa, junto à albufeira da barragem de Cahora Bassa, uma das maiores de África.
Segundo a ANAC, o conflito entre populações humanas e fauna bravia tem-se intensificado, com especial destaque para os elefantes, cuja procura por alimento os leva frequentemente a invadir e destruir campos agrícolas. No entanto, estudos demonstram que estes animais evitam zonas com colmeias, temendo as picadas das abelhas.
“A instalação de colmeias penduradas em cercas ao redor das machambas cria uma barreira natural. Se um elefante tocar a cerca, as abelhas são perturbadas e o animal afasta-se e reduz a destruição de culturas, que é uma das principais causas de conflito entre humanos e elefantes”, explicou um representante da ANAC.
Além da protecção das culturas, a apicultura abre portas a oportunidades económicas sustentáveis. O mel e outros produtos derivados possuem valor de mercado e permitem às famílias gerar rendimento sem recorrer à caça furtiva, corte de lenha ou cultivo dentro das áreas protegidas.
O Parque Nacional de Magoe, com uma área superior a 3.500 quilómetros quadrados, é habitat de diversas espécies emblemáticas, incluindo elefantes, búfalos, hipopótamos, macacos e crocodilos. A iniciativa agora lançada pretende assegurar que a riqueza da biodiversidade local se converta em bem-estar para as populações vizinhas, ao invés de constituir uma fonte de conflito e destruição.


Fotos: ANAC




