Jul 20, 2026 |
À volta do Parque Nacional da Gorongosa, a produção de piri-piri está a ganhar peso como nova fonte de rendimento comunitário e apoio à convivência com a fauna bravia.
Depois da aposta no café, o Parque Nacional da Gorongosa (PNG) está agora a consolidar uma nova frente de produção agrícola com impacto económico e ambiental: o piri-piri. A iniciativa está a envolver comunidades vizinhas do parque e já registou um crescimento significativo, passando de pouco mais de 30 produtores para 150 agricultores no espaço de apenas um ano.
De acordo o PNG, o cultivo de piri-piri foi escolhido por permitir colheitas ao longo de todo o ano, tornando-se uma importante fonte complementar de rendimento para famílias que dependem sobretudo de culturas alimentares.
O modelo adoptado inclui apoio directo aos produtores com o PNG a fornecer todos os insumos aos produtores, assim como a assistência técnica e, como explica Juvêncio António, gestor do programa, “no fim nós compramos o piripiri fresco dos produtores e posteriormente fazemos a adição do valor que é a transformação do mesmo piripiri que é para poder comercializar no mercado moçambicano”.
Além de criar rendimento, o projecto procura alargar oportunidades económicas às comunidades locais através da transformação do produto, reforçando a cadeia de valor e abrindo portas à comercialização internacional.
A aceitação nas comunidades tem sido descrita como positiva avaliando a adesão ao programa que se iniciou com 30 produtores e que em apenas um ano de atividade já chegou a um total de 150 produtores.
O piri-piri tem ainda uma dimensão ligada à conservação. Segundo o projecto, a cultura pode ajudar a reduzir conflitos entre pessoas e elefantes, uma vez que o cheiro intenso e o efeito picante funcionam como dissuasor natural. O produto pode ser usado em cercas, briquetes ou pulverizações para proteger machambas de forma não letal e ambientalmente segura.
A iniciativa é também apresentada como um produto com boa recepção no mercado gerando renda e emprego a nível local numa zona tampão, garantindo uma melhor integração da comunidade local com uma área protegida de grande dimensão.
Foto e vídeo: PNG




