Jul 14, 2026 |
O Niassa Lion Project está a apurar os resultados da monitorização fotográfica de 12 aldeias do corredor de Mecula, que receberão fundos comunitários gerados pelo registo de imagens da vida selvagem local.
O modelo de actuação no terreno assenta numa parceria de pagamento por desempenho de conservação ambiental estabelecida entre a organização e as comunidades residentes, como explica o Projecto Carnívoros do Niassa.
A mecânica operacional desta iniciativa começou com a entrega de quatro câmaras fotográficas de activação automática a cada povoação do Corredor de Mecula, localizado na Reserva Especial do Niassa, seleccionada para este projecto.
A respectiva instalação ficou inteiramente a cargo dos habitantes, que escolheram locais situados até um quilómetro das fronteiras da sua aldeia, mantendo um espaçamento rigoroso de um a dez quilómetros entre cada equipamento.
O sistema funciona através de uma recompensa financeira directa pela coexistência pacífica. Por cada animal selvagem fotografado, a localidade envolvida acumula pontos. Para evitar garantir a clareza do processo, a contagem das imagens e do somatório atingido é efectuada num espaço público. Após o escrutínio, a pontuação converte-se em dinheiro, cabendo a cada povoação decidir de forma inteiramente autónoma a aplicação prática da verba alcançada.
Este programa constitui um pagamento que reconhece as populações como autênticas guardiãs da biodiversidade ao seu redor. Acima de tudo, o projecto cria uma ponte essencial entre a presença humana e a fauna, provando que a conservação é lucrativa ao premiar os animais vivos e desencorajar qualquer acção letal ou caça furtiva.
Em funcionamento desde 2021, a estratégia tem revelado um impacto estrutural profundo. Até ao final do ano de 2025, o conjunto das 12 aldeias participantes amealhou um montante global superior a 170 mil dólares americanos. Este capital comunitário tem sido direccionado para colmatar necessidades locais, financiando a compra de bens alimentares, de chapas de zinco para os telhados das habitações e a montagem de vedações eléctricas para atenuar eventuais conflitos territoriais com animais de grande porte.
Num caso muito recente, uma pequena comunidade investiu parte das suas receitas na aquisição de bicicletas, usufruindo de um prémio directo gerado pelos registos de fauna obtidos na sua área de residência. O sucesso desta operação contínua no terreno depende fortemente da rectidão das lideranças locais, com a organização a enaltecer expressamente o excelente trabalho de gestão assegurado por Maico, Dauda, Juma e Horácio neste programa implementado pelo Projecto Carnívoros do Niassa.
Foto: Projecto Carnívoros do Niassa Top of Form




