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Kambaku

Proteger mangais e zonas húmidas pode render mais de 530 milhões de dólares e reforçar protecção costeira

Out 27, 2025 |

A restauração de ecossistemas costeiros em Moçambique poderá gerar benefícios superiores a 530 milhões de dólares e reduzir significativamente os impactos de cheias e ciclones, segundo um novo estudo internacional.

A avaliação, intitulada Sustainable Asset Valuation of Mangroves and Wetlands for Coastal Resilience in Mozambique, realizada pelo NBI Global Resource Centre, revela que investir na recuperação e conservação de mangais e zonas húmidas pode proporcionar até 14 dólares de retorno por cada dólar investido. O relatório estima um investimento total de 41,7 milhões de dólares, capaz de gerar até 537,5 milhões de dólares em benefícios económicos, sociais e ambientais.

O estudo citado International Institute for Sustainable Development (IISD), apoiado pelo Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA), analisou projectos-piloto em três estuários — Bons Sinais, Zambeze e Limpopo — onde se prevê restaurar 7.500 hectares de zonas húmidas, recuperar 3.800 hectares de mangais e conservar 30.000 hectares de ecossistemas costeiros.

Estas acções deverão beneficiar directamente cerca de 211 mil pessoas e, de forma indirecta, mais de um milhão de habitantes através da melhoria da qualidade da água, do reforço das pescas e da redução de riscos de desastres naturais.

De acordo com as conclusões do estudo, a restauração dos ecossistemas poderá reduzir em mais de 120 milhões de dólares os prejuízos provocados por inundações e poluição. Além de proteger infra-estruturas e terras agrícolas da intrusão salina, os mangais saudáveis funcionam como barreiras naturais contra tempestades, oferecem refúgio a diversas espécies e contribuem para a captura de carbono.

O estuário do Limpopo apresenta o maior potencial de retorno devido à densidade populacional e à exposição a eventos climáticos extremos, embora os estuários do Zambeze e dos Bons Sinais também revelem ganhos significativos em resiliência e biodiversidade.

Classificado como um dos países mais vulneráveis às alterações climáticas, Moçambique enfrenta regularmente ciclones, cheias e degradação costeira. O Governo, com o apoio do PNUA, prepara uma proposta ao Fundo Verde para o Clima, com o objectivo de financiar estas medidas de adaptação baseadas na natureza, que se apresentam como uma das estratégias mais custo-eficazes para proteger comunidades, preservar ecossistemas e impulsionar o desenvolvimento sustentável do país.

Foto: hakaimagazine.com

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