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Kambaku

Quatro Hope Spots reforçam peso de Moçambique na conservação do Oceano Índico

Abr 6, 2026 |

Moçambique saiu da mais recente reunião da Mission Blue com um papel reforçado na conservação dos ecossistemas marinhos mais ricos do Oceano Índico Ocidental.

Ao juntar representantes dos seus quatro Hope Spots, parceiros internacionais e instituições públicas em torno de uma agenda comum para acelerar a protecção do mar, o país reforçou o seu papel na preservação de pontos críticos que garantem a preservação de toda esta ecoregião.

De acordo com a Marine Megafauna Foundation (MMF), o encontro reuniu “campeões da conservação” ligados a Maputo (ou Maputaland), Baía de Jangamo, Inhambane Seascape e Arquipélago das Quirimbas, quatro zonas identificadas como ecologicamente críticas numa das faixas costeiras mais biodiversas da região.

Participaram organizações como a Marine Megafauna Foundation, Love The Oceans, Fundação Likhulu, Malamba Coastal Collaborative, Associação NATURA Moçambique e Universidade Lúrio.

A importância de Moçambique nesta rede assenta não apenas no número de Hope Spots reconhecidos, mas também no valor biológico das suas águas. Segundo a Mission Blue, o país alberga habitats usados por mantas, tubarões-baleia, tartarugas marinhas, dugongos, baleias-de-bossa e muitas outras espécies, num corredor marinho decisivo para a biodiversidade do sudoeste do Índico.

A reunião realizada em Moçambique permitiu alinhar estratégias entre os vários campeões moçambicanos e resultou numa intenção de candidatura conjunta a financiamento para apoiar actividades de conservação no terreno em cada Hope Spot. O encontro serviu também para reforçar ligações entre equipas que trabalham em diferentes pontos do litoral moçambicano e para melhorar a coordenação de respostas a ameaças comuns.

Entre essas pressões estão a sobrepesca, incluindo a captura dirigida de tubarões, a extracção ilegal de areia e a exploração de petróleo e gás, problemas que afectam áreas ecologicamente sensíveis e comunidades costeiras dependentes de recursos marinhos.

Nas declarações recolhidas pela Mission Blue, os próprios participantes sublinharam o valor estratégico desta articulação nacional. “Discutimos a possibilidade de trabalharmos em conjunto como um grupo de Campeões e de nos candidatarmos a fundos que permitam a cada Hope Spot implementar actividades de conservação. Foi também muito útil compreender a missão da Mission Blue e a ideia de os Campeões trabalharem em conjunto para alcançar um objetivo comum a nível nacional”, garantiu Gelica Inteca, da Fundação Quirimbas, Quirimbas Archipelago Hope Spot Champion.

Também Pascoal Bernardo Nhamussua, da Love The Oceans, destacou o potencial prático desta aproximação entre projectos ao afirmar: “esta ligação pode trazer métodos mais colaborativos e eficazes ao nosso trabalho. Através da colaboração, os Hope Spots podem ajudar-se mutuamente e alcançar os objetivos dos seus projetos.”

Além do trabalho entre organizações no terreno, a visita da Mission Blue incluiu encontros com a Administração Nacional das Áreas de Conservação e com o Instituto de Investigação Marinha e Pesqueira, num sinal de aproximação entre os actores da conservação e o Estado. Houve ainda contactos com entidades como African Parks, IUCN e WWF, com o objectivo de identificar sinergias e ampliar o impacto colectivo das iniciativas em curso.

A Mission Blue considera que estas reuniões ajudaram a consolidar uma rede de liderança local para a protecção marinha em Moçambique, ao mesmo tempo que reforçaram a cooperação regional com a África do Sul, onde decorreu uma etapa anterior do programa. Em 2024, a entrada de Maputaland na rede global como Hope Spot transfronteiriço entre os dois países veio sublinhar a continuidade ecológica deste corredor marinho e a necessidade de respostas coordenadas além-fronteiras.

Fundada pela oceanógrafa Sylvia Earle, a Mission Blue apoia cientistas, campeões locais e parceiros em várias partes do mundo para promover áreas marinhas protegidas e contribuir para a meta internacional de proteger pelo menos 30% do oceano até 2030.

Fotos: Ike Isaacson / MMF

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