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Kambaku

Ratos que detetavam minas em Moçambique vão combater tráfico ilegal de vida selvagem

Nov 12, 2024 |

Os mesmos ratos gigantes africanos que ajudaram Moçambique a erradicar as minas anti- pessoais estão agora a ser treinados para identificar produtos de vida selvagem ilegalmente traficados, tal como escamas de pangolim, marfim de elefante, corno de rinoceronte e pau-preto africano.

Estas espécies encontram-se em risco de extinção e a sua protecção tornou-se uma prioridade para autoridades, cientistas e organizações de conservação.

A descoberta é parte de uma investigação conduzida por uma equipa da APOPO, uma organização não governamental sediada na Tanzânia, em colaboração com investigadores da Okeanos Foundation e da Universidade de Duke. A pesquisa foi recentemente publicada na revista Frontiers in Conservation Science.

A APOPO actua em Moçambique na desminagem residual e na desativação de munições, além de identificar e remover explosivos tendo expandido a sua actuação para o vizinho Zimbabué. Em 2013, a organização expandiu para Maputo o seu programa de detecção de tuberculose, originalmente iniciado na Tanzânia.

Segundo cita a revista Phys.org, a Dr. Isabelle Szott, investigadora da Okeanos e coautora do estudo, “o nosso estudo demonstra que podemos treinar ratos gigantes africanos para detectar vida selvagem traficada, mesmo quando estes produtos se encontram ocultos entre outras substâncias.”

Os ratos, baptizados com nomes que homenageiam figuras de renome na luta contra o tráfico de vida selvagem, como Attenborough e Fossey, passaram por várias fases de treino. Numa das etapas, chamada “treino de indicação”, os ratos aprenderam a reconhecer o cheiro de espécies protegidas. Quando identificavam correctamente um odor-alvo, como escamas de pangolim, mantinham o focinho na entrada onde o odor estava presente e eram recompensados.

Adicionalmente, o estudo revelou a notável capacidade de retenção dos ratos. Após cinco e oito meses de inactividade, os ratos foram reintroduzidos a cheiros que não tinham encontrado nesse período. Apesar da ausência prolongada de exposição, mantiveram uma taxa de reconhecimento perfeita, sugerindo uma memória olfativa comparável à de cães.

O recurso a ratos treinados surge como uma alternativa eficiente e de baixo custo aos métodos de detecção convencionais, geralmente dispendiosos e demorados. Contudo, os investigadores alertam para as limitações do estudo, realizado num ambiente controlado que não reflecte as condições reais de tráfico. Para que os ratos possam ser implementados em operações de combate ao tráfico de vida selvagem, será necessário desenvolver novos métodos de adaptação.

Fotos: APOPO/schwabfound.org/phys.org

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