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Kambaku

Rei do povo Luchazi de Angola nas fotografias do ano da National Geographic

Dez 23, 2025 |

A selecção anual da National Geographic revela espécies ameaçadas e ecossistemas frágeis e dá um especial destaque a uma fotografia marcante captada nas terras altas de Angola.

As Imagens do Ano da National Geographic, uma das escolhas editoriais mais aguardadas no universo da fotografia documental e de natureza, volta a colocar o planeta no centro das atenções, entre biodiversidade em risco, comunidades humanas e paisagens em transformação.

Entre os registos seleccionados para 2025, a fotografia captada em Luena, no sudeste de Angola, assume particular relevância. A imagem retrata Mwene Chivueka VI, rei do povo Luchazi, num retrato que simboliza a ligação profunda entre liderança tradicional, identidade cultural e preservação ambiental num dos ecossistemas menos estudados da África Austral.

A fotografia, da autoria de Jasper Doest, foi realizada no complexo real de Sakasanje, após o monarca ter concedido autorização a uma equipa da National Geographic para aceder a terras ancestrais consideradas sagradas. Para além de se tratar do primeiro retrato oficial do rei, a imagem afirma a existência e a autoridade de um reino historicamente marginalizado no contexto nacional.

De acordo com o fotógrafo, a comunidade Luchazi venera há gerações uma manada de elefantes nativa da região, encarando florestas, rios e animais como parentes e não como recursos. Esta visão do território assenta em obrigações espirituais e sociais profundamente enraizadas, que funcionam como um modelo de protecção ambiental sustentado pela tradição.

Jasper Doest garante que se sente « honrado por uma das imagens que tirei este ano em Angola ter sido selecionada para o concurso Pictures of the Year 2025 da National Geographic”. “Estava lá com Kerllen Costa (diretor nacional do Okavango Wilderness Project da National Geographic Society) e a sua equipa para pedir ao rei permissão para entrar na sua terra ancestral sagrada para a reportagem em que estávamos a trabalhar. No final da reunião, ele concedeu-me um breve momento para tirar este retrato. Tornou-se o seu primeiro retrato oficial e, para ele, foi uma forma de afirmar a existência e a autoridade de um reino que há muito tempo vive à margem do reconhecimento nacional”, acrescenta o fotógrafo.

A presença de Angola nesta selecção internacional surge ao lado de imagens captadas em diversos pontos do globo, desde os recifes de coral das Ilhas Salomão às planícies do Delta do Okavango, passando por festivais religiosos na Índia, comunidades indígenas no Árctico e sinais visíveis das alterações climáticas na Amazónia.

A edição deste ano evidencia espécies em perigo, ecossistemas frágeis e práticas humanas em adaptação, reforçando o papel da fotografia como ferramenta de testemunho e sensibilização. A National Geographic sublinha que cada imagem procura contar uma história mais ampla, onde ciência, cultura e ambiente se cruzam.

As Imagens do Ano podem ser exploradas no site da revista, onde é apresentado o contexto detalhado de cada fotografia e das histórias que lhes deram origem: aqui.

Foto: Jasper Doest/National Geographic

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